Andrei nega monitoramento ilegal de Mendonça e atribui envio de relatórios a Moraes

Por Redação 11/09/2026, às 17h33 - Atualizado às 17h03

O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, negou que a corporação tenha realizado monitoramento ilegal do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Em manifestação enviada nesta sexta-feira (11) ao presidente da Corte, Edson Fachin, Andrei afirmou que os relatórios citados no caso eram documentos regulares de inteligência e foram encaminhados ao STF por determinação do ministro Alexandre de Moraes.

A manifestação ocorreu após Fachin dar 48 horas para que Andrei prestasse esclarecimentos antes de decidir sobre sua permanência no comando da PF. Na quarta-feira (9), o presidente do STF havia suspendido a decisão de Mendonça que determinava o afastamento preventivo de Andrei e do diretor de Inteligência Policial, Leandro Almada.

Segundo Andrei, os documentos não foram produzidos a partir de vigilância, coleta clandestina de informações ou procedimentos invasivos. Para a PF, os relatórios reuniam análises de cenários com base em informações e interações institucionais já conhecidas pelos agentes.

Relatórios foram enviados por ordem de Moraes

Andrei também diferenciou os relatórios de inteligência de uma investigação criminal. Segundo ele, esse tipo de documento é utilizado para análises e avaliações de risco, podendo incluir hipóteses e projeções, sem buscar determinar autoria ou materialidade de crimes.

O diretor-geral afirmou que os documentos chegaram ao STF exclusivamente por determinação judicial, no âmbito do inquérito das fake news. A manifestação sustenta que a PF não enviou o material espontaneamente nem foi responsável pela divulgação do conteúdo sigiloso.

A defesa também contestou o pedido de afastamento apresentado pelo partido Novo. Segundo Andrei, a legenda não teria legitimidade para solicitar diretamente medidas cautelares penais contra uma autoridade.

A manifestação cita o Código de Processo Penal para argumentar que medidas cautelares durante uma investigação dependem de representação da autoridade policial ou de requerimento do Ministério Público.