Apartamento, viagens e repasses: PF aponta vantagens ligadas a Jaques Wagner e Banco Master

Por Redação 18/06/2026, às 11h08 - Atualizado às 11h08

Por Záfya Tomaz

Relatório da Polícia Federal que embasou a nova fase da Operação Compliance Zero aponta uma série de supostas vantagens recebidas pelo senador Jaques Wagner (PT-BA) no âmbito das investigações sobre o Banco Master. O parlamentar é um dos alvos da operação deflagrada nesta quinta-feira (18).

Segundo informações divulgadas pelo portal R7, a PF identificou indícios de uma relação de proximidade entre Wagner e o empresário Augusto Lima, investigado no caso e apontado como um dos principais interlocutores do grupo econômico sob apuração.

De acordo com o relatório, os investigadores apuram a possível aquisição oculta de um apartamento avaliado em R$ 2,45 milhões em Salvador. A suspeita é de que o imóvel tenha sido adquirido com recursos vinculados ao grupo investigado, utilizando uma empresa para ocultar o real beneficiário da operação.

A Polícia Federal também cita movimentações financeiras envolvendo a BN Financeira, empresa ligada à família do senador. Entre os elementos analisados estão uma transferência de R$ 3,5 milhões e registros de pagamentos que somariam mais de R$ 2,3 milhões a intermediários.

Além dos repasses, o documento descreve benefícios que incluiriam viagens em aeronaves particulares disponibilizadas por Augusto Lima. Em uma das ocasiões, segundo a investigação, o empresário teria organizado o transporte de Wagner e familiares para uma ilha privada. Há ainda menções ao fornecimento de ingressos para shows internacionais nos Estados Unidos.

A PF sustenta que as vantagens teriam sido concedidas em troca de apoio a interesses relacionados ao Banco Master. Entre os fatos investigados estão possíveis articulações em pautas legislativas e iniciativas ligadas ao sistema financeiro.

A operação foi autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, e apura suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e outros crimes relacionados às atividades do grupo investigado.

Até a publicação desta matéria, a defesa de Jaques Wagner não havia se manifestado sobre as suspeitas apontadas pela Polícia Federal.