Após ser alvo da PF, Jaques Wagner tentou vender terreno de R$ 15,8 milhões

Por Redação 18/07/2026, às 12h06 - Atualizado às 11h55

O senador Jaques Wagner (PT-BA) tentou vender um terreno avaliado em R$ 15,8 milhões um dia após ser alvo da 9ª fase da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal. A negociação acabou impedida após uma decisão judicial determinar o bloqueio de bens relacionados ao parlamentar.

O pedido de registro da venda do imóvel, localizado em Camaçari, na Região Metropolitana de Salvador, foi apresentado ao cartório no dia 19 de junho, um dia depois da operação da PF.

O terreno, com cerca de 51 mil metros quadrados, teve a transferência interrompida após o 1º Ofício de Registro de Imóveis de Camaçari receber uma ordem de indisponibilidade assinada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Além do terreno, Wagner também negociava a venda de um apartamento em Salvador avaliado em R$ 10 milhões. De acordo com o Estadão, a transação havia sido protocolada uma semana antes da operação policial, mas também foi atingida pelo bloqueio judicial.

As informações foram divulgadas pelo jornal O Estado de S. Paulo neste sábado (18), mostram que o senador já teria recebido ao menos R$ 12 milhões referentes às negociações dos dois imóveis antes da restrição determinada pela Justiça.

Imóvel seria usado em projeto ligado ao Bahia

O terreno em Camaçari foi negociado com uma empresa que tem participação do Grupo City, responsável pela SAF do Esporte Clube Bahia, e de companhias do setor imobiliário. A área deve integrar um empreendimento previsto para funcionar próximo ao novo centro de treinamento do clube.

Questionada pelo jornal, a diretoria de comunicação do Bahia informou que adquiriu terrenos de cinco proprietários diferentes na região, seguindo critérios de mercado. O clube afirmou que o imóvel ligado a Wagner representa cerca de 4% da área total comprada e que o bloqueio judicial não deve comprometer o andamento do projeto.

Defesa nega irregularidades

A defesa de Jaques Wagner afirmou que não houve irregularidades nas negociações e disse que os assuntos relacionados ao caso estão sendo tratados judicialmente.

Segundo o advogado Pablo Domingues, “não há mínima irregularidade e nem nada a esconder”. A defesa também afirmou que o senador não irá se manifestar sobre temas que não estejam relacionados à sua campanha eleitoral.

Operação investiga suspeitas envolvendo Banco Master

A Operação Compliance Zero apura suspeitas de pagamentos de vantagens indevidas a agentes públicos ligados ao Banco Master. No caso de Wagner, a Polícia Federal investiga se o senador recebeu benefícios para atuar em favor dos interesses do empresário Daniel Vorcaro, controlador da instituição financeira.

A investigação também envolve um apartamento de luxo em Salvador, avaliado em R$ 2,5 milhões, que teria sido destinado à filha do senador. Segundo a PF, o imóvel teria sido adquirido por uma empresa ligada a terceiros com recursos supostamente originados em operações relacionadas ao Banco Master.

Após a operação, realizada em junho, Wagner deixou a liderança do governo Lula no Senado. O parlamentar nega irregularidades, afirma que mantinha apenas relações institucionais com os investigados e destaca que não foi denunciado nem se tornou réu no caso.