O operador financeiro Antonio Carlos Freixo Júnior, conhecido como Mineiro, afirmou em acordo de colaboração que realizou sete transferências bancárias, em 2025, para um fundo nos Estados Unidos usado para financiar o filme Dark Horse, produção sobre a trajetória política de Jair Bolsonaro. Os repasses somaram US$ 12,3 milhões, o equivalente a cerca de R$ 69 milhões na época.
A informação foi divulgada pela colunista Malu Gaspar, de O Globo. Segundo o relato de Mineiro à Procuradoria-Geral da República (PGR), os pagamentos foram feitos ao fundo Havengate, administrado pelo advogado de imigração Paulo Calixto, apontado como próximo de Eduardo Bolsonaro, a pedido do empresário Daniel Vorcaro.
O principal ponto investigado agora é a destinação desse dinheiro. A PGR e a Polícia Federal apuram se os recursos foram usados exclusivamente para a produção do filme ou se parte deles também teria financiado a permanência de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. O deputado se mudou para o Texas em fevereiro de 2025, alegando sofrer perseguição política no Brasil.
O sétimo repasse, de US$ 1,66 milhão, cerca de R$ 9 milhões, já havia sido revelado pela revista Piauí. Mineiro também relatou ter feito entregas de dinheiro em espécie, inclusive em malas, a pessoas indicadas por Vorcaro, mas afirmou não saber qual era a finalidade dos valores.
O caso ganhou peso político depois que mensagens atribuídas a Flávio Bolsonaro mostraram o senador pedindo a Vorcaro recursos para financiar Dark Horse. Na época, Flávio afirmou que prestaria contas sobre o dinheiro e, posteriormente, classificou o episódio como “página virada”.
O próprio custo do filme também chamou atenção dos investigadores. Uma análise financeira apontou que a produção teria consumido US$ 13,39 milhões, aproximadamente R$ 75,18 milhões, sendo 72% dos gastos nos Estados Unidos e 28% no Brasil. Cerca de US$ 2,69 milhões teriam sido destinados a custos de produção considerados elevados em comparação com o padrão do setor.
O acordo de colaboração de Mineiro será analisado pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). A defesa tem reunião marcada com o magistrado nesta terça-feira (8), às 14h, para tratar dos termos do acordo, que ainda precisa passar por análise de voluntariedade, regularidade e validade jurídica antes de uma eventual homologação.