Brasil rejeita proposta dos EUA para receber estrangeiros presos no país

Por Redação 13/03/2026, às 20h40 - Atualizado às 16h49

O governo do Brasil decidiu que não aceitará receber estrangeiros presos nos Estados Unidos e posteriormente deportados. A proposta teria sido apresentada pela Casa Branca como parte das negociações para um acordo de cooperação entre os dois países.

A iniciativa surgiu após uma tentativa de reaproximação entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, depois de uma crise diplomática em 2025. A visita de Lula a Casa Branca, inicialmente prevista para março, chegou a ser cogitada como momento para anunciar um acordo que incluiria a redução de tarifas e cooperação em áreas como minerais estratégicos e combate ao crime organizado.

Segundo a proposta revelada pela imprensa, o governo norte-americano sugeriu que o Brasil recebesse em seu sistema prisional estrangeiros detidos nos EUA, em modelo semelhante ao adotado por El Salvador, que passou a abrigar presos deportados pelos americanos.

A ideia, porém, foi rejeitada por autoridades brasileiras. O Ministério das Relações Exteriores, o Itamaraty, já teria informado aos EUA que o projeto não deve avançar. Nos bastidores, integrantes do governo afirmam que o país “não vai virar El Salvador”.

Além da proposta sobre deportados, os EUA também sugeriram que o Brasil apresente um plano mais amplo de combate ao crime organizado, incluindo grupos como o Primeiro Comando da Capital (PCC), o Comando Vermelho (CV), o Hezbollah e organizações criminosas chinesas.

O governo brasileiro admite ampliar a cooperação internacional contra o crime, mas rejeita classificar facções como organizações terroristas. A avaliação em Brasília é que esse enquadramento poderia abrir espaço para operações militares estrangeiras na região.

Autoridades brasileiras também citam como preocupação a possibilidade de ações unilaterais dos EUA na América Latina. Episódios recentes envolvendo ataques contra embarcações ligados ao tráfico na costa de países como Venezuela e Colômbia são vistos como sinal do tipo de estratégia que Washington poderia adotar.