A Câmara Municipal de Salvador dará início, na próxima semana, às obras emergenciais de recuperação do telhado do Paço Municipal, danificado por um incêndio no dia 24 de fevereiro. O anúncio foi feito pelo presidente da Casa, vereador Carlos Muniz (PSDB), após reunião com a presidente da Fundação Mário Leal Ferreira (FMLF), Tânia Scofield.
Além da restauração do prédio histórico, as discussões incluíram o projeto de criação do Museu Legislativo, que será implantado no próprio Paço Municipal, na Praça Thomé de Souza. A iniciativa visa preservar a história e a importância da Câmara na capital baiana.
Obras emergenciais
De acordo com Tânia Scofield, duas frentes de trabalho estão sendo conduzidas. A primeira, mais imediata, envolve a proteção e restauração provisória do telhado, danificado pelo incêndio, garantindo a segurança do edifício, especialmente com a chegada do período chuvoso.
A segunda frente consiste na elaboração de um projeto mais amplo, que definirá quais atividades poderão continuar funcionando no Paço e como o espaço será adaptado para a criação do Museu Legislativo.
“Após o incêndio, o prefeito Bruno Reis nos solicitou uma avaliação técnica do prédio para entender o impacto e as medidas necessárias. Já realizamos quatro vistorias e temos um diagnóstico detalhado dos danos. Além disso, contratamos um instituto de arquitetura especializado em restauro de prédios tombados, e a previsão é concluir o projeto em até 90 dias”, explicou Scofield.
Durante as obras, as sessões ordinárias, especiais e solenes da Câmara continuam sendo realizadas no auditório do Centro de Cultura da Casa, também localizado na Praça Thomé de Souza.
Preservação histórica
O presidente da Câmara, Carlos Muniz, enfatizou a importância da restauração e da transformação do Paço Municipal em um espaço dedicado à memória legislativa da cidade.
“Nosso objetivo é garantir a preservação desse patrimônio histórico e transformá-lo no Museu Legislativo, permitindo que moradores de Salvador e turistas conheçam a relevância das ações realizadas ao longo dos séculos nesse local”, destacou Muniz.
Apesar da adaptação para o museu, o prédio continuará a receber eventos especiais, como a posse dos vereadores e a leitura da Mensagem do Executivo, realizada anualmente pelo prefeito.
“O Paço continuará sendo a Casa do Povo, mas vamos reduzir sua utilização diária para preservar este espaço histórico-cultural”, completou Muniz.
O Paço Municipal de Salvador abriga a primeira Câmara Legislativa das capitais do Brasil e é um dos mais importantes exemplares da arquitetura civil colonial brasileira. Sua estrutura atual data de 1660, com fachada principal formada por arcadas de pedra de cantaria, sustentadas por colunas toscanas.
A Câmara Municipal de Salvador foi fundada em 1549, junto com a cidade, e se tornou uma das instituições legislativas mais influentes do período colonial português nas Américas, mantendo até hoje seu papel de interlocutora entre a sociedade e o poder público.