A crise da segurança pública na Bahia foi a pauta do evento “SOS Bahia – Caminhos para mudar a segurança pública do nosso estado”, realizado nesta quinta-feira (5), no Hotel Fiesta, em Salvador. Com a presença de lideranças políticas e especialistas, o encontro abriu espaço para críticas e também diagnósticos alarmantes sobre o sistema de Justiça baiano.
Um dos destaques do evento foi a participação do deputado federal Capitão Alden (PL), integrante da Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado na Câmara dos Deputados. Em sua fala, o parlamentar chamou atenção para o papel do Judiciário na escalada da violência no estado e apresentou dados preocupantes.
“O poder judiciário é frágil. Nós temos hoje na Bahia mais de 10 mil inquéritos policiais relacionados a homicídios sem solução. A Bahia é o estado que menos elucida crimes no Brasil, apenas 14, 15% dos crimes são elucidados, especialmente relacionados a homicídios”, afirmou.
Capitão Alden também criticou o baixo efetivo da Polícia Civil, destacando que a estrutura atual é insuficiente para dar conta da demanda nos 417 municípios baianos, e o dado surpreendeu o ex-bope, Rodrigo Pimentel. “Você tem uma polícia civil e judiciária aqui no nosso estado que tem um efetivo de 5.300 policiais para todo o estado da Bahia. Em 200 municípios, de 417, não existem delegados titulares. Em 100 municípios baianos sequer existe policial civil”, destacou o deputado.
Segundo Alden, o Judiciário baiano está entre os mais ineficientes do país. “O poder judiciário na Bahia é o mais lento e o mais caro do Brasil. Hoje faltam aqui 350 juízes que deixam de ocupar essas vagas. Isso faz com que cada juiz baiano tenha uma média de 4 mil processos em cima da mesa. Nós levamos, em média, quatro anos para poder julgar um único processo”, denunciou.
O parlamentar acredita que toda essa espera contribui para o fortalecimento do crime organizado. “É um conjunto de fatores que permitem que as facções se sintam abrigadas aqui no Estado”, concluiu.