A tensão política marcou a Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA) nesta terça-feira (5), quando a deputada estadual Olívia Santana (PCdoB) fez duras declarações sobre a postura do deputado Diego Castro (PL) durante a sessão de reabertura da Casa. Em coletiva de imprensa, Olívia denunciou uma série de atitudes que, segundo ela, representam desrespeito e tentativa de silenciamento político.
A deputada citou um episódio que a fez se sentir constrangida durante a sessão. No vídeo, é possível ver o deputado Diego Castro, de maneira irônica, oferecer “o resto de sua água” a Olívia enquanto falava da tribuna. A presidente da ALBA, deputada Ivana Bastos (PSD), interrompeu a fala do parlamentar imediatamente, pedindo respeito no plenário. Para Olívia, o gesto simboliza o nível de desconsideração com que mulheres vêm sendo tratadas no ambiente político.
Em entrevista ao TakTá, a parlamentar também afirmou que Diego Castro tenta distorcer, de forma deliberada, o conteúdo de um projeto de lei de sua autoria — elaborado após o caso da estudante Ana Luísa, vítima de violência. A proposta visa garantir assistência a famílias em situação de vulnerabilidade, mas vem sendo ironizada pelo deputado com termos pejorativos, segundo a Olívia.
“Quando ele chama o projeto de ‘bolsa bandido’, ele tenta esvaziar completamente o objetivo da proposta e me empurrar para um lugar de deslegitimação”, disse Olívia. “Eu fui eleita como qualquer outro deputado desta Casa e exijo respeito. Não vou me calar nem recuar”.
A deputada informou ainda que ingressou com uma ação judicial contra Diego Castro, em resposta ao que classificou como ataques sistemáticos. Segundo ela, atitudes como essas fazem parte de uma estratégia comum de figuras ligadas ao bolsonarismo para tentar intimidar mulheres na política.
Ao mencionar a vereadora Eliete Paraguassu (PSOL), que também teria sido alvo de violência política recentemente, Olívia reforçou a importância da resistência feminina nos espaços de poder: “Eles fazem isso para que a gente recue, se recolha, desista. Mas eu não vou sair daqui chorando ou me escondendo. Eu sou mulher e exijo respeito”, concluiu.