A defesa do ex-banqueiro Daniel Vorcaro entregou à Polícia Federal (PF) e à Procuradoria-Geral da República (PGR) uma proposta de delação premiada no âmbito das investigações do caso Master, que apura fraudes bilionárias no mercado financeiro. O material foi encaminhado em um pen drive e já começou a ser analisado pelas autoridades.
A partir do recebimento, cabe à PF e à PGR verificar se o conteúdo apresenta novos elementos e provas relevantes para os inquéritos. Segundo investigadores, essa etapa pode levar mais de dois meses.
De acordo com informações, o material está organizado em anexos divididos por personagens. Na proposta, Vorcaro detalha datas, horários e locais de encontros, reuniões, festas e viagens com políticos. Interlocutores apontam que há menções a nomes de diferentes espectros políticos, com predominância de figuras do centro.
Após a análise, a PF e a PGR devem iniciar a coleta de depoimentos de Vorcaro para formalizar a delação, que será posteriormente encaminhada ao Supremo Tribunal Federal (STF).
Vorcaro foi transferido em março do presídio federal de Brasília para a Superintendência da PF, onde negociou o acordo com visitas diárias de advogados por cerca de um mês e meio, até a finalização da proposta.
Os pré-candidatos à Presidência Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) não constam no material. Segundo fontes, também não há menções a outros nomes que disputam o cargo, como Romeu Zema (Novo), Ronaldo Caiado (PSD), Augusto Cury (Avante), Renan Santos (Missão) e Aldo Rebelo (Democracia Cristã). Um ex-candidato atualmente inelegível, no entanto, deve aparecer em um dos anexos.
Vorcaro foi preso preventivamente em 4 de março, em São Paulo, pela segunda vez. O cunhado dele, Fabiano Zettel, também foi detido e segue em um presídio.