Deputado Adolfo Viana direciona R$ 7 milhões a obras sob suspeita de superfaturamento

Por Redação 09/10/2025, às 21h02 - Atualizado às 18h32

O deputado federal Adolfo Viana (PSDB-BA) é apontado em uma investigação que apura suposto superfaturamento em obras de pavimentação financiadas por emendas parlamentares em municípios do interior da Bahia. Segundo apurações, o parlamentar destinou cerca de R$ 7 milhões para projetos executados pela empresa Allpha Pavimentações, que se tornou alvo.

A Allpha pertence aos irmãos Alex e Fábio Parente, empresários que, conforme registros oficiais, mantêm relação próxima com o deputado. Alex Parente, um dos sócios da companhia, esteve mais de 20 vezes no gabinete de Viana, em Brasília.

E o grupo também é investigado por manter contato com políticos de diferentes partidos para garantir contratos públicos. As obras foram contratadas por meio de um pregão eletrônico do Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs), cujo coordenador na época, Lucas Maciel Lobão, foi indicado por Viana. Após o certame, a Allpha venceu três licitações, totalizando R$ 40,7 milhões.

Um relatório da Controladoria-Geral da União (CGU) apontou superfaturamento de R$ 4,2 milhões nos contratos firmados pela empresa. Diante das evidências, o Tribunal de Contas da União (TCU) determinou a suspensão das obras, enquanto a Polícia Federal aprofunda as investigações no âmbito da Operação Overclean, que apura fraudes em licitações, corrupção e desvio de verbas públicas.

Os irmãos Parente e o ex-coordenador do Dnocs foram presos em dezembro de 2024, acusados de participar de um esquema de desvio de recursos oriundos de emendas parlamentares.

Embora o deputado Adolfo Viana ainda não figure formalmente como investigado, documentos apreendidos na sede do Dnocs mencionam seu nome em contextos ligados à destinação das emendas e ao repasse de recursos a prefeituras baianas.

Até o momento, nem o parlamentar nem os empresários envolvidos se manifestaram sobre as suspeitas levantadas pelos órgãos de controle. As apurações continuam sob sigilo judicial.