Disputa por likes: Jerônimo Rodrigues e ACM Neto travam batalha por influência digital

Por Redação 13/03/2026, às 18h07 - Atualizado às 18h07

Por Záfya Tomaz

Conteúdos virais, vídeos curtos e discursos que geram forte reação emocional… Tudo isso tem grande capacidade de moldar percepções. Muitas vezes, a forma como um político se comunica nas redes pode impactar mais a opinião do eleitor do que discursos formais ou debates tradicionais. Tendo isso em vista, o atual governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), e o pré-candidato ACM Neto (União Brasil), que aparecem como principais nomes na disputa pelo poder, têm utilizado essas ferramentas de maneiras distintas.

Em apenas uma das redes sociais, Jerônimo reúne 837 mil seguidores, enquanto ACM Neto apresenta números ainda mais expressivos: 1,3 milhão. Em 2025, o líder do União Brasil entrou para a lista dos 100 políticos mais influentes do Brasil no Instagram, segundo levantamento das plataformas Zeeng e MonitoraBR.

Os dois perfis adotam estratégias de comunicação bastante diferentes. Enquanto o governador petista aposta em uma presença institucional, destacando obras, programas sociais, anúncios e agendas oficiais, reforçando a imagem de gestor, Neto construiu um perfil que mistura política, bastidores, cotidiano e opinião, aproximando-se do formato de criador de conteúdo.

Segundo pesquisa do Datafolha, divulgada neste mês de março, 58% dos brasileiros dizem se informar sobre política pela TV e 54% pelas redes sociais. A hegemonia da TV aberta, portanto, vem perdendo espaço, o que ajuda a explicar o investimento crescente dos políticos nas mídias digitais.

Para Marcelo Vitorino, professor e consultor de marketing político, um dos principais erros de candidatos nas redes é estar presente nas plataformas, mas não interagir com os eleitores nem estruturar os conteúdos de forma estratégica para informar e engajar o público.

Nesse cenário, a disputa pelo governo da Bahia também começa a se desenhar no ambiente virtual. Curtidas, comentários e compartilhamentos passaram a funcionar como um termômetro de popularidade e engajamento político.

Ainda assim, o consultor pondera que ter mais seguidores não necessariamente indica maior força eleitoral. Segundo ele, o eleitor busca alguém com capacidade de governar, e não apenas um político que domine os algoritmos das redes sociais.

“Em minha visão, ACM perdeu muito tempo nos últimos anos mais preocupado com engajamento do que na construção de uma reputação mais sólida para conquistar os eleitores de que precisa. Além disso, o estado tem uma tendência de voto mais alinhada ao campo progressista”, avaliou.

Embora o desempenho nas redes não seja garantia de vitória nas urnas, até 4 de outubro, data do primeiro turno das eleições, a tendência é que a disputa entre Jerônimo Rodrigues e ACM Neto se intensifique não apenas nos palanques e nos bastidores da política, mas também no universo dos likes, comentários e visualizações.