Entre ataques e defesas, debate expõe estratégia de Neto, Jerônimo e Mansur na corrida pelo Governo

Por Redação 10/08/2026, às 08h30 - Atualizado às 08h31

Por Záfya Tomaz

O primeiro debate entre os candidatos ao Governo da Bahia em 2026 terminou com um retrato mais claro das estratégias adotadas por cada um na disputa. Realizado pela Band Bahia neste domingo (9), o confronto foi marcado principalmente por ataques, respostas e tentativas de explorar pontos frágeis dos adversários, enquanto as propostas concretas apareceram em segundo plano.

A polarização entre ACM Neto (União Brasil) e Jerônimo Rodrigues (PT) dominou boa parte do encontro. O candidato do União Brasil adotou uma postura mais combativa e concentrou os ataques em problemas que atingem diretamente a imagem da gestão estadual, como a fila da regulação, a segurança pública e as condições da BR-324. Já Jerônimo passou boa parte do debate defendendo os resultados do próprio governo e apresentando números para responder às críticas.

No meio dessa disputa, Ronaldo Mansur (PSOL) buscou construir um caminho próprio. O candidato aproveitou diferentes momentos para questionar a associação de ACM Neto ao campo bolsonarista e tentou apresentar a candidatura do PSOL como uma alternativa à polarização entre os dois principais nomes da corrida.

ACM Neto entrou no debate para atacar. O ex-prefeito de Salvador explorou temas sensíveis da administração estadual e tentou colocar Jerônimo na posição de explicar problemas enfrentados pela população. Em um dos embates, quando foi questionado sobre sua relação com o governo federal, reafirmou que não considera necessário ter um presidente do mesmo partido para governar a Bahia.

Jerônimo, por outro lado, mostrou que estava preparado para a defesa. O governador conseguiu rebater parte dos ataques com números e ações da gestão, mas também protagonizou momentos de maior tensão. Ele se irritou ao contestar uma declaração de Neto sobre as condições das estradas baianas e chegou a solicitar direito de resposta, que foi negado. Em outro momento, classificou como “herança malvada, perversa” o legado deixado pelos grupos que antecederam o PT no comando do Estado.

O governador também tentou deslocar o confronto para a estratégia de campanha do adversário ao criticar o uso de inteligência artificial nas peças de ACM Neto. Jerônimo ainda citou a Serra da Chapadinha e afirmou que existe um projeto de proteção da área em análise pela Procuradoria-Geral do Estado.

Mansur adotou uma estratégia diferente. Sem disputar diretamente a polarização entre Neto e Jerônimo, buscou atingir os dois lados. Um dos alvos principais foi a aproximação de ACM Neto com o bolsonarismo. O candidato recuperou, inclusive, uma declaração atribuída ao adversário sobre Lula e tentou reforçar a ideia de que Neto mantém uma aliança política com o grupo ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro.

O candidato do PSOL também levou para o debate uma pauta ambiental ao falar sobre a Serra da Chapadinha e direcionou críticas ao prefeito de Salvador, Bruno Reis, chamado por ele de “Bruno Mãos de Tesoura”, em uma referência à vegetação da capital.

No balanço geral, o debate serviu mais para definir territórios políticos e testar a capacidade de reação dos candidatos do que para apresentar um conjunto consistente de novas propostas. Neto mostrou disposição para explorar os problemas da gestão estadual; Jerônimo buscou defender o governo e apresentar resultados; e Mansur tentou ocupar o espaço de oposição aos dois principais grupos.

O desempenho de cada um também deixa uma questão para os próximos capítulos da campanha: o tom de confronto deve se manter nos próximos debates ou os candidatos vão apostar mais na apresentação de propostas? Ainda não há confirmação de que os três estarão juntos nos próximos encontros.