Ex-presidente do BRB é preso sob suspeita de propina milionária

Por Redação 16/04/2026, às 15h24 - Atualizado às 15h24

O ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, é suspeito de receber propina estimada em R$ 146,5 milhões, acertada com o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro. A informação consta na decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou a prisão de Costa nesta quarta-feira (16), durante a quarta fase da Operação Compliance, conduzida pela Polícia Federal.

Segundo as investigações, os valores seriam pagos por meio de quatro imóveis de alto padrão em São Paulo e dois em Brasília.

Até o momento, a Polícia Federal afirma ter rastreado cerca de R$ 74 milhões. O restante não teria sido repassado após Vorcaro tomar conhecimento da existência de investigação sobre os pagamentos, o que teria levado à interrupção das transferências.

De acordo com a PF, o banqueiro recebeu, em 24 de junho de 2025, uma cópia da investigação enviada por um funcionário via WhatsApp. Apesar de a interrupção dos pagamentos ter ocorrido antes, em maio, o ministro André Mendonça considerou que há indícios de que Vorcaro já tinha conhecimento prévio da apuração.

Além de Costa, foi preso o advogado Daniel Monteiro, apontado como testa de ferro do ex-presidente do BRB. Ele teria recebido diretamente R$ 86,1 milhões em vantagens indevidas. As prisões preventivas foram justificadas pelo risco de ocultação de patrimônio, interferência nas investigações e possibilidade de continuidade do esquema.

As apurações indicam que a suposta contrapartida do esquema seria o uso de recursos do BRB, controlado pelo governo do Distrito Federal, para aquisição de carteiras de crédito fraudulentas do Banco Master. Até agora, estima-se que ao menos R$ 12,2 bilhões em ativos irregulares tenham sido comprados, embora o valor total ainda não tenha sido confirmado.

A Operação Compliance Zero investiga um esquema estruturado para fabricar, vender e transferir carteiras de crédito fictícias entre as instituições financeiras.

Em nota, a defesa de Paulo Henrique Costa nega as acusações. O advogado Cleber Lopes afirmou que não há fundamento na hipótese de pagamento de propina e que o ex-presidente não representa risco às investigações. Segundo ele, não há indícios de que Costa tenha interferido na apuração ou cometido irregularidades.