Por Maria Eduarda Moura
O candidato ao governo da Bahia Ronaldo Mansur afirmou, após questionamentos, que não faz uso de cannabis, mas defendeu a legalização da substância para fins recreativos e medicinais. Segundo ele, pessoas que optam pelo consumo recreativo devem ter o direito de fazê-lo.
“Eu não bebo, não fumo nem cigarro e também nunca usei a cannabis”, afirmou. Apesar disso, Mansur disse defender “aqueles que queiram fazer uso da cannabis de forma recreativa”.
O candidato também defendeu a legalização da cannabis para fins medicinais e a oferta de medicamentos à base da substância pelo Sistema Único de Saúde (SUS), principalmente para pessoas de baixa renda.
“A população pobre, preta, o povo brasileiro que não tem acesso a esses medicamentos, que têm substância de cannabis, isso aí deve ser servido no SUS”, declarou.
Mansur afirmou ainda que pretende atuar junto aos parlamentares em Brasília para ampliar o acesso aos medicamentos. “Nós, enquanto governador, nós vamos trabalhar com os nossos deputados federais em Brasília para que isso se torne realidade”, disse.
Durante a fala, o candidato criticou o tratamento dado aos usuários de drogas e classificou como “hipocrisia” a prisão de pessoas pelo porte de pequenas quantidades de maconha enquanto, segundo ele, grandes traficantes não seriam alcançados.
“É uma hipocrisia a pessoa ser presa usando um baseadinho, enquanto que ali no Horto Florestal, quem está ali com a mesa, com a fileira de pó, a polícia não chega nem perto”, afirmou.
Na área de segurança pública, Mansur defendeu o uso de ações de inteligência para combater o tráfico de drogas e armas. “É preciso ter política de inteligência para chegar até os produtores. De onde é que vem a cocaína? Por que é que as nossas fronteiras estão abertas e essas mercadorias adentram?”, questionou.
Ele também afirmou que o debate sobre a legalização da cannabis não deve ser evitado por questões eleitorais. “Não é porque é um tema espinhoso que a gente tem que se negar a fazer. A gente não vai estar aqui se negando a fazer esse debate porque vai perder votos de alguns conservadores”, declarou.
E quem é o “Genocida Laele”?
Ao ser questionado sobre o termo “genocida Laele”, utilizado por ele em declarações anteriores, Mansur afirmou que a expressão se refere a um ex-presidente da República que, segundo ele, representou “um período tenebroso do Brasil”.
“Felizmente, a gente jogou pra longe esse espírito maligno da política brasileira”, afirmou. Sobre a expressão “Laele”, o candidato disse entendê-la como “uma expressão genuinamente baiana”.
As declarações foram dadas por Ronaldo Mansur nesta quarta-feira (2), durante sabatina realizada pela TV Aratu.