Haddad acusa bolsonarismo de articular tarifa de Trump e alerta: “Tiro vai sair pela culatra”

Por Redação 11/07/2025, às 04h05 - Atualizado 10/07/2025 às 18h22

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou nesta quinta-feira (10) que a imposição de tarifas de 50% sobre as exportações brasileiras aos Estados Unidos será desastrosa para os responsáveis por articular a medida. Em entrevista ao Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé, o ministro classificou a sanção comercial como um “ataque ao Brasil” sem qualquer racionalidade econômica, articulado por forças extremistas ligadas ao ex-presidente Jair Bolsonaro.

“Esse golpe contra a soberania nacional foi urdido de dentro do país. É uma ação de caráter político, promovida pela família Bolsonaro, para tentar interferir em processos judiciais. Mas acredito que o tiro vai sair pela culatra”, declarou.

Na quarta-feira (9), o ex-presidente norte-americano Donald Trump enviou uma carta ao presidente Lula informando a aplicação da tarifa a partir de 1º de agosto. O documento menciona diretamente Bolsonaro, réu no Supremo Tribunal Federal (STF) por tentativa de golpe de Estado, como justificativa para a medida.

Haddad afirmou que o movimento tem motivação eleitoral e citou Eduardo Bolsonaro, deputado federal licenciado (PL-SP) e filho do ex-presidente, atualmente morando nos Estados Unidos, como um dos articuladores da ofensiva contra o Brasil. “Eles estão tentando escapar de uma responsabilidade judicial e estão jogando contra o próprio país”, criticou.

O ministro destacou que os estados mais prejudicados pela nova tarifa são justamente os governados por aliados de Bolsonaro. Segundo ele, São Paulo — liderado por Tarcísio de Freitas (Republicanos) — será o principal prejudicado, com impacto direto sobre exportações de suco de laranja, máquinas industriais e aeronaves produzidas pela Embraer.

“A extrema-direita vai ter que reconhecer que deu um tiro no pé. É o estado de São Paulo, a locomotiva do país, que está sendo penalizado. E o governador precisa decidir: ou é candidato à Presidência, ou é vassalo. Não há espaço no Brasil para vassalagem desde 1822”, disparou Haddad.

Resposta diplomática 

O presidente Lula já afirmou que recorrerá à Organização Mundial do Comércio (OMC) e que, se necessário, aplicará a Lei da Reciprocidade Econômica, sancionada em abril, que permite retaliações a medidas comerciais unilaterais contra o Brasil.

Haddad confirmou que setores produtivos brasileiros estão “de cabelo em pé” e buscam apoio do governo para enfrentar as perdas. Ele defendeu uma resposta firme, porém diplomática: “O Brasil tem uma das diplomacias mais respeitadas do mundo. Vamos buscar uma saída em bases econômicas que sejam edificantes para as duas nações”.

O ministro ainda reforçou que esse tipo de agressão “vai ficar marcada como algo inaceitável” e pediu união entre setor produtivo, agronegócio e indústria paulista para defender os interesses nacionais.

Críticas

A decisão de Trump ocorre na mesma semana em que Brasil e Estados Unidos trocaram críticas devido à cúpula do Brics no Rio de Janeiro. O ex-presidente americano chegou a ameaçar países alinhados ao bloco — o que, para Haddad, agora se concretiza no caso brasileiro.

“O Brasil é grande demais para ser apêndice de qualquer bloco. Defendemos uma reglobalização sustentável, com novas bases, porque a globalização neoliberal promovida pelo Norte Global fracassou. Quem ganhou essa corrida foi a China”, afirmou Haddad, ao criticar os efeitos econômicos das políticas comerciais norte-americanas.

Segundo o ministro, o Brasil busca parcerias com pragmatismo, sem submissão ideológica. “Não estamos dando mais ou menos espaço a ninguém. Estamos abrindo caminhos para o nosso desenvolvimento, com soberania”, concluiu.