Justiça de São Paulo decreta prisão de jornalista perseguido por Carla Zambelli

Por Redação 05/06/2026, às 15h03 - Atualizado às 13h38

O Juizado Especial Criminal do Foro da Barra Funda determinou a prisão em regime aberto do jornalista Luan Araújo. A decisão da Justiça de São Paulo converteu a pena restritiva de direitos em privativa de liberdade devido ao não pagamento de uma prestação pecuniária. O profissional havia sido condenado a pagar uma indenização por difamação à ex-deputada federal Carla Zambelli, que o perseguiu à mão armada pelas ruas da capital paulista em outubro de 2022.

A disputa nos tribunais começou logo após o episódio da perseguição, quando Araújo publicou um artigo com duras críticas à conduta da então parlamentar. No texto, o jornalista escreveu que Zambelli integrava uma “seita de doentes de extrema direita” e classificou os membros do grupo como “mercadores da morte”. Diante das declarações, a política acionou o Judiciário. Luan Araújo acabou absolvido do crime de injúria, mas recebeu a condenação por difamação. O valor atualizado do débito, que engloba a indenização, multas acumuladas e custas do processo, soma pouco mais de R$ 2,2 mil.

O despacho judicial, publicado no dia 1º de junho, apontou que o condenado não quitou a obrigação financeira mesmo após ser formalmente intimado, justificando a regressão da pena com base no Código Penal. Até o fechamento desta matéria, a defesa do jornalista não havia sido localizada para se manifestar sobre o decreto prisional.

Relembre o caso

O caso aconteceu no segundo turno das eleições presidenciais de 2022. Após um desentendimento verbal em uma calçada de São Paulo, Carla Zambelli sacou uma pistola e correu atrás de Araújo até o interior de uma lanchonete. A conduta da ex-deputada foi gravada por testemunhas, viralizou nas redes sociais e gerou repercussão em todo o país.

Em agosto do ano passado, o Supremo Tribunal Federal (STF) condenou Zambelli em definitivo a uma pena de 5 anos e 3 meses de reclusão em regime semiaberto por porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal. Contudo, a ex-parlamentar viajou para a Itália em julho daquele ano para se esquivar do cumprimento de uma outra sentença, de 10 anos de prisão, que a apontava como mentora da invasão ao sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

Mesmo no exterior, ela acabou detida pelas autoridades locais. O governo brasileiro formalizou o pedido de extradição, que chegou a ser deferido em primeira instância pela magistratura italiana, mas a decisão favorável ao Brasil foi integralmente cassada em maio pela Corte de Apelação de Roma.