Mansur endurece contra Neto em debate e se aproxima do discurso de Jerônimo

Por Redação 10/08/2026, às 11h16 - Atualizado às 11h16

Por Záfya Tomaz

Ronaldo Mansur (PSOL) adotou uma estratégia própria no primeiro debate entre os candidatos ao Governo da Bahia, mas, em alguns momentos, a dinâmica do confronto fez parecer que Mansur e Jerônimo Rodrigues (PT) estavam de um lado, enquanto ACM Neto (União Brasil) concentrava os ataques dos dois. A aproximação ficou mais evidente quando os dois candidatos passaram a questionar a relação de Neto com o presidente Lula e a associá-lo ao campo bolsonarista.

Mansur foi direto ao abordar o assunto e recuperou uma declaração anterior de Neto sobre “dar uma surra” em Lula. O candidato do PSOL questionou se o adversário pretendia ter seu nome associado ao presidente no chamado voto casado ou se rejeitava essa possibilidade.

“Você quer ter o seu nome atrelado ao presidente Lula no voto casado ou você rejeita? Porque você disse há anos atrás que iria dar uma surra no presidente Lula. Você continua com essa mesma posição?”, questionou.

A estratégia coincidiu com uma das principais linhas adotadas por Jerônimo durante o debate. O governador também tentou desvincular Neto da imagem de Lula e reforçar sua proximidade com grupos bolsonaristas, criando uma espécie de frente comum contra o candidato do União Brasil em determinados momentos do confronto.

Apesar dessa aproximação pontual, Mansur tentou manter uma agenda própria, principalmente na área ambiental. O candidato criticou a gestão de Bruno Reis em Salvador, a quem chamou de “Bruno Reis Tesoura”, e questionou intervenções envolvendo áreas verdes da capital. “É esse o grupo do Antônio Carlos Magalhães, que quer governar a Bahia. É essa política que nós dizemos não”, afirmou, ao criticar o grupo político de Neto.

A Serra da Chapadinha também ganhou espaço na participação de Mansur. Ele defendeu a criação de uma reserva na região e criticou projetos de mineração. O candidato afirmou que, caso seja eleito, pretende avançar com a proteção da área e citou a importância da região para o abastecimento de água de municípios baianos.

O meio ambiente acabou sendo uma das principais marcas da participação de Mansur, que procurou se diferenciar dos dois principais candidatos ao levar para o debate temas que tiveram menos espaço na disputa entre Neto e Jerônimo.

No entanto, a estratégia de questionar a relação de Neto com o bolsonarismo acabou aproximando Mansur do discurso de Jerônimo. Em alguns dos principais momentos do debate, a impressão foi de que os dois candidatos tinham um alvo em comum, enquanto Neto precisava responder simultaneamente aos questionamentos de ambos.

Ao mesmo tempo, Mansur também buscou criticar o governo estadual, especialmente ao cobrar ações ambientais e citar a Serra da Chapadinha. O candidato, portanto, tentou equilibrar uma posição de oposição aos dois grupos com uma atuação mais incisiva contra Neto em temas ligados à política nacional.

A participação deixou clara a tentativa do candidato do PSOL de romper a polarização entre PT e União Brasil, embora, em determinados momentos, sua estratégia tenha produzido uma aproximação circunstancial com Jerônimo no confronto direto contra ACM Neto.