A ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, afirmou nesta quarta-feira (2) que o Brasil voltou a exercer um papel de destaque no cenário internacional ao reconstruir sua política ambiental. Em audiência na Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados, ela declarou que o país “recuperou seu lugar de potência ambiental”, com resultados expressivos na redução do desmatamento.
Segundo Marina, entre 2023 e 2024, a Amazônia registrou queda de quase 46% nas taxas de desmatamento, enquanto o índice caiu 32% em todo o país. No mesmo período, o agronegócio cresceu 15% e a renda per capita avançou cerca de 11%, demonstrando que a proteção ambiental pode coexistir com o desenvolvimento econômico.
A ministra destacou a atuação integrada do governo federal com estados, municípios, sociedade civil e setor privado. Ela também rebateu críticas sobre ações de fiscalização, afirmando que as irregularidades estão concentradas em uma minoria. “Apenas 2,6% dos imóveis rurais concentram 60% das infrações. Quem destrói é uma minoria. O Ibama autua quem age fora da lei”, declarou.
A fala foi motivada por questionamentos de parlamentares sobre a apreensão de 20 cabeças de gado ilegal na Reserva Extrativista Chico Mendes, no Acre. Segundo Marina, a operação buscou remover cerca de 400 bovinos mantidos ilegalmente em toda a unidade de conservação. “Esses 2,6% não falam pelo agronegócio brasileiro”, frisou.
Marina também comentou o aumento dos incêndios em 2024, que, segundo ela, foram agravados por eventos climáticos extremos, como seca severa, altas temperaturas e baixa umidade. O cenário, segundo a ministra, favoreceu a propagação de queimadas criminosas. “Foi um processo de retroalimentação perverso”, classificou.
Para enfrentar a situação, o governo destinou cerca de R$ 1,5 bilhão para ações de combate ao fogo e ampliou o efetivo de brigadistas para 3,5 mil. Com isso, a área atingida por incêndios foi reduzida em relação a 2022.
Agrotóxicos e incentivos sustentáveis
Ao ser questionada sobre a demora na liberação de agrotóxicos, Marina explicou que o Ibama segue critérios técnicos voltados à proteção da saúde pública, do meio ambiente e da produção agrícola. Segundo ela, muitos pedidos envolvem produtos genéricos, sem inovação ou atualização de fórmula, e incluem substâncias já proibidas anteriormente.
A ministra também ressaltou que agricultores que adotam práticas sustentáveis têm sido beneficiados por políticas públicas. No Plano Safra 2024, por exemplo, foi instituído um redutor de juros de até 1% para produtores que investem em agricultura de baixo carbono, uso de bioinsumos e regularização ambiental. “É um incentivo concreto às boas práticas no campo”, afirmou.