Ministra Simone Tebet prevê queda nos preços dos alimentos em 60 dias

Por Redação 03/04/2025, às 04h07 - Atualizado 02/04/2025 às 23h04

Durante evento comemorativo dos 60 anos do Banco Central, nesta quarta-feira (2), a ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet, afirmou que os preços dos alimentos devem começar a cair nos próximos dois meses, o que pode abrir caminho para uma eventual redução da taxa básica de juros ainda neste ano. O comentário foi um dos mais aplaudidos durante o encontro.

“Falta combatermos de forma mais eficiente a inflação. Sei que vamos conseguir. Daqui a 60 dias, quem sabe, a diminuição no preço dos alimentos… Quem sabe, porque o Banco Central é autônomo, possamos diminuir os juros no segundo semestre”, declarou Tebet.

Apesar do otimismo, a ministra reconheceu que o cenário internacional pode trazer desafios. O recente anúncio do presidente norte-americano Donald Trump, sobre novas tarifas comerciais, foi apontado como um possível fator de pressão inflacionária.

“Temos fatores além-mar que poderão impactar a inflação mundial e brasileira”, alertou Tebet, destacando, no entanto, que o Brasil pode mitigar esses impactos por meio da diversificação de parceiros e produtos de exportação, especialmente na agroindústria.

Inflação e política fiscal

O controle da inflação continua no radar das autoridades. Em sua última ata, o Comitê de Política Monetária (Copom) destacou que os preços dos alimentos continuam elevados e tendem a influenciar outros setores da economia devido a mecanismos inerciais. O Relatório de Inflação do Banco Central aponta que o índice acumulado em 12 meses deve seguir em torno de 5,5%, acima do centro da meta, de 4,5%.

Tebet também voltou a defender a revisão de incentivos fiscais para garantir o equilíbrio fiscal e cumprimento das metas:

“Temos uma renúncia de quase R$ 600 bilhões. Algumas são amplamente justificáveis, mas outras precisam ser revistas”, afirmou.

Haddad: estabilidade institucional e alternância democrática

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, também participou do evento e elogiou a transição de comando no Banco Central, do ex-presidente Roberto Campos Neto para o atual, Gabriel Galípolo, destacando a importância da estabilidade institucional:

“A má polarização impede a construção de um projeto de país. Precisamos fortalecer as instituições para que a democracia funcione com alternância e visão de Estado”, disse Haddad.

Congresso Nacional reforça apoio à autonomia do BC

Representando o Legislativo, o presidente da Câmara, Hugo Motta, destacou a parceria com o Banco Central para modernizar as regras do sistema financeiro. Ele lembrou a lei da autonomia do BC, aprovada em 2021, como uma das maiores conquistas institucionais:

“A autonomia deu mais previsibilidade e proteção contra interferências políticas”, disse.

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, reforçou que a autonomia contribuiu para a estabilidade e transparência da política monetária:

“A relação sólida com o Congresso fortalece a credibilidade do Banco Central, essencial para um desenvolvimento sustentável.”

Expectativas para os próximos meses

Com a inflação ainda pressionada — especialmente pelos preços de alimentos no domicílio — e o cenário global em transformação, o governo aposta em queda nos preços e revisão de políticas fiscais para abrir espaço a um ciclo de juros mais baixos. O Banco Central, no entanto, mantém cautela, apontando a necessidade de ancorar expectativas antes de qualquer flexibilização mais agressiva da política monetária.