Moraes pede extradição de ex-assessor acusado de vazar mensagens sigilosas

Por Redação 24/08/2025, às 11h42 - Atualizado às 16h33

O ministro Alexandre de Moraes, do STF, solicitou ao Ministério da Justiça a extradição do ex-assessor do TSE Eduardo Tagliaferro, acusado de vazar mensagens sigilosas das duas Cortes. O pedido foi feito em 14 de agosto.

Segundo a pasta, a solicitação foi encaminhada ao Itamaraty em 20 de agosto, para formalização junto ao governo da Itália, onde Tagliaferro se encontra.

Na sexta-feira (22), o caso ganhou novo capítulo. O procurador-geral da República, Paulo Gonet, apresentou denúncia contra o ex-assessor ao STF.

A PGR o acusa de violação de sigilo funcional, coação no curso do processo, obstrução de investigação sobre organização criminosa e tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito.

A denúncia ocorre quatro meses após o indiciamento da Polícia Federal, que apontou que Tagliaferro repassou informações à imprensa em abril de 2024.

De acordo com Gonet, entre maio e agosto do ano passado, ele teria revelado conversas sigilosas de servidores do STF e do TSE, onde atuava como chefe da Assessoria de Enfrentamento à Desinformação.

Para a PGR, Tagliaferro atuava em favor de uma organização criminosa que espalhava fake news contra a Justiça Eleitoral e tramava uma tentativa de golpe de Estado.

O procurador destacou ainda que, em julho deste ano, já fora do país, ele ameaçou divulgar novos dados sigilosos, configurando coação no processo.

Segundo a denúncia, os vazamentos foram seletivos, com o objetivo de minar a credibilidade das investigações do Supremo e incitar atos antidemocráticos.

Outro lado
A defesa de Tagliaferro afirmou não se surpreender com a denúncia e classificou as acusações como perseguição. Disse ainda que ele foi vítima de apreensão ilegal de celular e que apenas confirmou informações já existentes nas mensagens.

Os advogados relataram também que, quando chefiou o gabinete de combate à desinformação do TSE, recebeu ordens que não poderia descumprir, o que motivou pedidos de exoneração.

A defesa acrescentou que Tagliaferro teme por sua vida, mas que pretende revelar dados que, segundo ele, “merecem análise rigorosa da lei para a moralização do país”.