A disputa pelo Governo da Bahia nas eleições de 2026 reúne candidatos com trajetórias políticas distintas, que vão da administração pública e da gestão municipal à atuação em movimentos sociais e na organização partidária. Enquanto o governador Jerônimo Rodrigues (PT) busca a reeleição, o ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União Brasil) volta a disputar o Palácio de Ondina.
Também integram a corrida eleitoral Ronaldo Mansur (PSOL), que aposta na participação dos movimentos sociais, e José Estêvão (DC), que defende uma alternativa à polarização política no estado.
Para contextualizar o eleitorado sobre o histórico, a atuação e os principais posicionamentos de cada postulante ao Palácio de Ondina, o Portal Taktá reuniu informações sobre os concorrentes ao governo estadual nas eleições de 2026. A seguir, confira o perfil de cada candidato.
Jerônimo Rodrigues
Jerônimo Rodrigues Souza, 61 anos, é o atual governador da Bahia e candidato à reeleição em 2026. Natural de Aiquara, no sudoeste baiano, é engenheiro agrônomo formado pela Universidade Federal da Bahia (UFBA) e mestre em Ciências Agrárias pela mesma instituição.
Antes de ingressar na política eleitoral, construiu a carreira na administração pública e na área da educação. Foi professor, secretário municipal de Agricultura, assessor em secretarias estaduais e ocupou cargos no Ministério do Desenvolvimento Agrário entre 2011 e 2014.
De volta ao governo baiano, comandou as secretarias estaduais de Desenvolvimento Rural e da Educação. Na primeira, esteve à frente de políticas voltadas à agricultura familiar, regularização fundiária e compras públicas. Na Educação, participou da implantação de escolas em tempo integral e de investimentos em infraestrutura da rede estadual.
À frente do governo desde janeiro de 2023, sua gestão lançou o programa Bahia pela Paz, voltado à integração entre ações de segurança pública e políticas sociais, além de promover investimentos em equipamentos para as forças de segurança. Na área educacional, enfrentou críticas relacionadas à Portaria 190/2024, que trata da progressão de estudantes do ensino médio. O governo argumenta que a medida busca reduzir a evasão escolar e evitar a retenção de alunos em situação de vulnerabilidade.
Filiado ao Partido dos Trabalhadores (PT) desde 1990, disputou pela primeira vez um cargo eletivo em 2022, quando foi eleito governador da Bahia após vencer ACM Neto no segundo turno.
Durante a campanha de 2022, Jerônimo também foi criticado pela ausência no debate do segundo turno. A coordenação da campanha afirmou que a decisão fazia parte da estratégia eleitoral.
ACM Neto
Antônio Carlos Peixoto de Magalhães Neto, 47 anos, é advogado, ex-prefeito de Salvador e uma das principais lideranças do União Brasil. Natural da capital baiana, formou-se em Direito pela Universidade Federal da Bahia (UFBA) e iniciou a carreira política em 2003, ao ser eleito deputado federal.
Na Câmara dos Deputados, ganhou projeção nacional por sua atuação na oposição aos governos do PT e pela participação na CPI dos Correios. Também exerceu cargos de liderança partidária e participou de debates sobre reforma política e temas econômicos.
Em 2012, foi eleito prefeito de Salvador e, quatro anos depois, conquistou a reeleição ainda no primeiro turno. Em 2022, disputou o Governo da Bahia, sendo derrotado por Jerônimo Rodrigues no segundo turno.
Entre as propostas que defende para a administração estadual estão o fortalecimento das forças de segurança por meio de tecnologia e inteligência policial, a responsabilidade fiscal, a redução da burocracia e a descentralização dos serviços de saúde de média e alta complexidade para o interior do estado.
Nos últimos anos, ACM Neto também esteve no centro de debates políticos. Um dos episódios envolveu a alteração de sua autodeclaração racial junto à Justiça Eleitoral entre os pleitos de 2022 e 2026. O político afirmou que sempre se identificou como pardo e negou qualquer relação da declaração com benefícios eleitorais.
Ronaldo Mansur
Ronaldo Mansur Santos Silva, 46 anos, é técnico em Meio Ambiente, estudante de Direito e presidente estadual do PSOL na Bahia. Natural de Alagoinhas, construiu sua atuação política por meio de movimentos sociais e da organização partidária.
Integrante do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), também atuou junto ao Mandato da Resistência, do deputado estadual Hilton Coelho. Ao longo da trajetória, ocupou cargos como secretário-geral, tesoureiro e presidente estadual do PSOL, além de dirigir a Federação PSOL-Rede na Bahia.
Disputou três eleições, duas como candidato a vice-governador e uma para deputado federal, sem conquistar mandato.
Na disputa pelo Governo da Bahia em 2026, apresenta uma candidatura voltada à participação dos movimentos sociais, à defesa dos trabalhadores, da moradia e das pautas ambientais. Também afirma buscar uma alternativa à polarização entre os grupos políticos liderados pelo PT e pelo União Brasil.
Embora a Federação PSOL-Rede apoie nacionalmente a candidatura presidencial de Luiz Inácio Lula da Silva, Mansur defende um projeto independente para o governo baiano.
Durante as eleições de 2022, participou de discussões internas sobre a distribuição do Fundo Eleitoral entre candidatos do partido. À época, afirmou que os critérios eram definidos pelas instâncias nacionais da legenda.
José Estêvão
José Estêvão dos Santos Barbosa é empresário e presidente estadual da Democracia Cristã (DC) na Bahia. Nascido em 1958, é casado e pai de dois filhos. Antes de ingressar na política partidária, desenvolveu sua carreira no setor privado.
Sua experiência eleitoral inclui uma candidatura a deputado estadual em 2006, quando ficou na suplência. Desde então, permaneceu na direção da Democracia Cristã, sem exercer mandato eletivo ou ocupar cargos no Executivo.
Na eleição de 2026, apresenta sua candidatura ao Governo da Bahia com o discurso de oferecer uma alternativa aos grupos políticos tradicionais que disputam o comando do estado.
Entre as propostas defendidas pelo candidato estão o incentivo ao empreendedorismo, a geração de emprego e renda e o fortalecimento das economias locais, considerando as características produtivas de cada município. Na segurança pública, defende políticas de desenvolvimento social como complemento às ações de combate à criminalidade.
José Estêvão também afirma que pretende conduzir uma candidatura independente da polarização política entre direita e esquerda, priorizando propostas voltadas ao desenvolvimento regional e aos municípios baianos.
Sua trajetória recente também foi marcada por uma disputa interna na Democracia Cristã. Após uma tentativa de intervenção da direção nacional no diretório estadual, recorreu à Justiça Eleitoral e obteve decisão liminar que o manteve na presidência da legenda na Bahia.