Por Záfya Tomaz
O senador Otto Alencar comentou, em entrevista ao Taktá, a rejeição do nome de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF) e apontou que a decisão teve mais relação com articulações internas do Senado do que com fragilidade do governo.
Segundo Otto, a principal razão para a derrota foi um desgaste anterior envolvendo a indicação defendida pelo ex-presidente da Casa, Rodrigo Pacheco. “Ficou um grupo de senadores muito insatisfeitos porque lá atrás queriam uma indicação do Rodrigo Pacheco, e o presidente Lula não atendeu. Esse foi, para mim, o fator mais decisivo dessa votação”, afirmou.
Apesar do resultado, o senador avaliou que houve articulação por parte do governo, mas destacou a dificuldade de reverter posições em votações desse tipo.
“A articulação do governo foi boa, mas você não convence todo mundo em um colegiado como o Senado nesse tipo de votação”, disse. Para Otto, o episódio pode até sinalizar uma perda momentânea de força no Congresso, mas não deve gerar efeitos mais amplos. “Tem um significado de perda de maioria dentro do Senado, mas eu acho que o presidente Lula vai conseguir contornar essa situação”, avaliou.
Ele ainda reforçou que, na visão dele, o impacto político é limitado tanto no plano nacional quanto estadual. “Não impacta nada. A eleição do governador Jerônimo e do presidente Lula não altera absolutamente nada por causa disso”, disse, citando o governador Jerônimo Rodrigues (PT).
Sobre uma possível nova indicação ao STF, Otto sinalizou que o tema pode não ser imediato. “Acho que o presidente não deve indicar outro nome agora. Talvez só depois da eleição”, declarou.
A rejeição de Messias, considerada incomum na história recente, expôs tensões na relação entre o governo federal e o Senado, mas, na avaliação do senador baiano, ainda está longe de produzir efeitos diretos no cenário eleitoral.