O senador Otto Alencar (PSD) nega ter chamado chapa puro sangue petista de “carniça” e afirma que suas declarações foram distorcidas em reportagem publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo.
Na conversa com o jornal, Otto comentou a possibilidade de uma chapa composta pelo governador Jerônimo Rodrigues, pelo ministro da Casa Civil, Rui Costa, e pelo senador Jaques Wagner, todos do PT, para o senador, esse tipo de chapa, chamada de “puro-sangue” pode enfrentar dificuldades eleitorais.
Inicialmente, o Estadão publicou um título afirmando que Otto teria chamado diretamente a composição petista de “carniça”, o que motivou reação imediata da assessoria do parlamentar. “Senador chama chapa puro-sangue do PT na Bahia de ‘carniça’ e Lula vai mediar crise com PSD”, mas apóes reprecussão e nota de Otto, título foi alterado, e ficou “PSD critica chapa puro-sangue do PT na Bahia e Lula vai mediar crise”. E o texto também sofreu alteração, para: ‘Chapa carniça pode dar problema’, avisou.
Ainda na entrevista, Otto Alencar deixou claro que o PSD pretende permanecer aliado ao PT na Bahia, mas descartou aceitar a vaga de vice na chapa de Jerônimo Rodrigues ou a possibilidade de o senador Angelo Coronel (PSD) ser suplente de Jaques Wagner. “Isso fere o amor próprio dele. É uma proposta que não deveria ter sido feita”, afirmou.
Em entrevista ao site da revista Veja, o senador também disse acreditar que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) terá papel direto na definição da chapa majoritária no estado. “Esse tema ainda vai render bastante. É cedo para falar em chapa fechada. A decisão deve passar pelo terceiro andar do Palácio do Planalto”, declarou.
Diante da repercussão, a assessoria de Otto Alencar divulgou uma nota rebatendo a reportagem do Estadão e afirmando que o senador “em nenhum momento utilizou termo pejorativo para se referir a adversários políticos ou aliados”. E reforça que Otto apenas citou exemplos históricos para sustentar a avaliação de que chapas exclusivamente partidárias tendem a não ter sucesso eleitoral. Confira a nota emitida pela assessoria do senador:
“O senador Otto Alencar repudia veementemente a matéria publicada nesta sexta-feira (16) pelo jornal O Estado de S. Paulo, assinada pelo jornalista Daniel Weterman.
Em nenhum momento o senador utilizou qualquer termo pejorativo para se referir a adversários políticos ou aliados, tampouco a expressão que lhe foi atribuída.
Presidente do PSD na Bahia e da CCJ no Senado, Otto Alencar apenas relembrou, em entrevistas, que chapas chamadas de “puro-sangue”, historicamente, não obtiveram êxito eleitoral, citando como exemplo a eleição de 2006 na Bahia, quando uma chapa da oposição, encabeçada pelo mesmo partido (Paulo Souto / Eraldo Tinoco) foi derrotada por Jaques Wagner, que se elegeu governador do Estado.
O senador Otto reafirma seu compromisso com o debate político, respeitoso e responsável e rechaça a distorção de suas declarações”.