Por Záfya Tomaz
Relatórios de inteligência da Polícia Federal apontam que o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), pode ter adotado critérios diferentes na análise de casos envolvendo ACM Neto (União Brasil) e Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. A informação é da colunista Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo.
Segundo os documentos, citados pelo ministro Alexandre de Moraes em uma decisão desta quinta-feira (3), a PF identificou semelhanças entre as situações dos dois. Em uma reunião realizada em 13 de agosto, Mendonça teria avaliado que ACM Neto aparentava exercer uma atividade de representação de interesses “dentro dos limites do permitido”.
Os investigadores, porém, questionaram a diferença em relação ao tratamento dado a Lulinha, que é alvo de três inquéritos. No relatório, a PF menciona a possibilidade de terem sido aplicados “padrões probatórios distintos”, levantando a hipótese de que o peso dado às provas tenha variado conforme o espectro político dos envolvidos.
O nome de ACM Neto aparece no caso por sua relação com o Banco Master. Segundo os documentos, uma empresa ligada ao ex-prefeito de Salvador e à esposa recebeu R$ 3,6 milhões do Banco Master e da Reag entre 2023 e 2024. Neto afirma que os valores eram referentes a serviços de consultoria e nega irregularidades.
A suspeita da PF foi incorporada por Moraes a uma decisão na qual ele pede que Edson Fachin avalie a abertura de investigação contra Mendonça. O ministro também questiona outros aspectos da condução das investigações do Banco Master e do caso envolvendo fraudes no INSS.
A ofensiva ocorre em meio ao acirramento da disputa entre Moraes e Mendonça. Dois dias antes, Mendonça havia retirado o sigilo de um relatório da PF que apontou 187 interações entre Moraes e Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master. Fachin determinou que os ministros, além do procurador-geral da República e do diretor-geral da PF, prestem esclarecimentos sobre os questionamentos levantados.