A Polícia Federal (PF) revelou, nesta segunda-feira (18), novos detalhes sobre um plano para assassinar o então presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva, o vice-presidente Geraldo Alckmin, e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. A investigação aponta que o plano foi discutido em um encontro realizado em 12 de novembro de 2022, na residência do general Braga Netto, ex-ministro da Defesa e da Casa Civil, e vice na chapa derrotada de Jair Bolsonaro nas eleições presidenciais de 2022.
De acordo com o relatório da PF, a reunião contou com a presença do tenente-coronel Mauro Cid, do major Rafael de Oliveira, e do tenente-coronel Hélio Ferreira Lima, além do próprio Braga Netto. No local, foi apresentado e aprovado o “planejamento operacional para a atuação dos ‘kids pretos’”, como era chamado o grupo responsável pelas ações.
Alvos e estratégias
O plano incluía assassinatos ou a prisão de Moraes, além de ações letais contra Lula e Alckmin, com o uso de armamento pesado, explosivos e até envenenamento. Segundo a PF, após o encontro de novembro, o grupo começou a monitorar os passos de Alexandre de Moraes para executar os ataques.
Em outro momento da conspiração, a data de 15 de dezembro de 2022 foi escolhida como o dia para atacar Lula e Alckmin. Na ocasião, Lula estava em São Paulo, participando da 9ª Expocatadores, e Alckmin estava em Brasília, em um evento com governadores promovido pela Unesco.
Conexões com atentados em Brasília
Os atentados ocorridos em Brasília nos dias 12 e 24 de dezembro de 2022 também estão sob investigação por suspeita de ligação com esse plano. No dia 12, ocorreram ataques em diversos pontos da capital federal, promovidos por um grupo acampado em frente ao Quartel General do Exército. Já no dia 24, integrantes do mesmo grupo colocaram uma bomba em um caminhão de combustível próximo ao aeroporto de Brasília.
A Operação Contragolpe, deflagrada hoje, busca confirmar se esses atos e o plano de assassinato estão conectados.
Investigações em andamento
A PF aponta que a organização criminosa detalhou um plano minucioso, com uso de “armamentos extremamente letais, artefatos explosivos e envenenamento”, e envolveu militares e civis em sua execução. Braga Netto, que não ocupava cargo público na data do encontro, aparece como peça-chave no planejamento.
As investigações continuam, e novos desdobramentos poderão esclarecer o grau de envolvimento dos participantes e as conexões entre os atos de violência e a tentativa de impedir o retorno de Lula à Presidência. A ação reforça o papel da PF em desmantelar ameaças à segurança institucional e à democracia brasileira.