PF marca depoimento de Jaques Wagner em investigação do caso Banco Master

Por Redação 21/07/2026, às 12h40 - Atualizado às 12h51

A Polícia Federal agendou para o próximo dia 7 de agosto o depoimento do senador baiano Jaques Wagner (PT), investigado por suposto recebimento de vantagens indevidas relacionadas a um ex-sócio do Banco Master. O interrogatório será realizado na Superintendência da PF, em Brasília, no âmbito do inquérito que apura possíveis crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e fraudes financeiras.

Os investigadores pretendem esclarecer a participação do parlamentar na negociação envolvendo a aquisição de um apartamento avaliado em R$ 2,45 milhões, localizado em uma área nobre de Salvador. Em entrevista anterior, o senador afirmou que pretendia comprar o imóvel para a filha e explicou que, como não possuía o valor naquele momento, faria posteriormente a recompra da unidade, ainda em construção.

O parlamentar foi alvo de mandados de busca e apreensão no dia 18 de junho, durante uma fase da Operação Compliance Zero, autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, relator do caso.

Segundo as investigações, há suspeitas de que o senador tenha atuado em favor de interesses ligados ao Banco Master. Além da negociação do imóvel, a Polícia Federal também apura pagamentos destinados a uma empresa da nora do parlamentar e a compra de ingressos para um show no exterior, que poderiam configurar contrapartidas pelos supostos serviços prestados.

Na decisão que autorizou a operação, o ministro André Mendonça destacou que “A Polícia Federal sustenta que, no curso das investigações, foram identificados elementos indicativos de recebimento de vantagem econômica indevidas pelo parlamentar, direta ou indiretamente, por intermédio de familiares, pessoas de confiança e estruturas societárias vinculadas ao grupo econômico investigado”.

O senador nega qualquer irregularidade. Após a operação, classificou a ação da Polícia Federal como uma “patacoada”, reconheceu que mantém relação com o empresário investigado, mas afirmou que jamais recebeu benefícios financeiros em troca de sua atuação política.

Depois de se tornar alvo da investigação, o parlamentar deixou a função de líder do governo no Senado. Segundo informações divulgadas à época, a decisão foi tomada após orientação de aliados, que defenderam seu afastamento para concentrar esforços na defesa e reduzir o desgaste político do governo federal.