Presidente do TRE-BA relata ameaça atribuída a Marcelo Nilo durante sessão da Corte

Por Redação 13/08/2026, às 20h09 - Atualizado às 20h09

O presidente do Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA), desembargador Maurício Kertzman, revelou nesta quinta-feira (13) ter recebido uma ameaça atribuída ao deputado federal Marcelo Nilo. O episódio foi exposto durante uma sessão da Corte e, segundo o magistrado, ocorreu após recentes julgamentos envolvendo a campanha do parlamentar nas redes sociais.

Kertzman afirmou que recebeu, na última sexta-feira (7), um áudio de visualização única enviado pelo WhatsApp, com uma mensagem atribuída a Marcelo Nilo. Segundo o desembargador, o conteúdo mencionava a existência de um suposto “dossiê” que poderia ser exposto publicamente. “Como achei estranho, não quis abrir e tomei as medidas adequadas para documentar o conteúdo”, explicou.

Na transcrição apresentada durante a sessão, a voz atribuída ao deputado afirma: “Você pode ter certeza absoluta, vamos passar na minha cara, se você fizer essa sacanagem que você está fazendo comigo, e você está a serviço de Rui dos Respiradores, pode ter certeza, que a Bahia toda vai saber, é pesado, viu?”. Para Kertzman, a mensagem representou uma tentativa de intimidação diante das decisões recentes da Justiça Eleitoral.

Apesar do episódio, o presidente do TRE-BA declarou que não pretende se afastar do julgamento. “Se a intenção foi apenas causar a minha suspeição, eu não me considero suspeito, mesmo após entender esse áudio. Pessoalmente, não tenho nada a temer, minha vida é um livro aberto”, afirmou. O magistrado também destacou que não é “nem amigo e nem inimigo” de Marcelo Nilo.

O caso foi encaminhado ao Ministério Público Eleitoral (MPE) e ao Ministério Público Federal (MPF), que deverão analisar se as falas podem configurar crime comum ou eleitoral. Kertzman afirmou ainda que tornou o episódio público para preservar a independência da Corte. “Eu preciso me sentir livre, e todos os integrantes desta Corte precisam se sentir livres para votar conforme a sua consciência”, declarou.