Por Záfya Tomaz
A discussão sobre a possível aplicação de uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros pelos Estados Unidos entrou em uma fase decisiva nesta semana. Em audiência pública realizada pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR), empresas, associações empresariais e representantes dos dois países apresentaram argumentos sobre a medida. A decisão final do governo norte-americano está prevista para o próximo dia 15 de julho.
Além da disputa comercial, o tema também ganhou contornos políticos. Enquanto o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aposta na negociação diplomática para evitar a sobretaxa, o senador Flávio Bolsonaro (PL) participa das audiências em Washington defendendo a suspensão das tarifas e a abertura de uma negociação bilateral entre os dois países. O parlamentar também pediu que o Pix fique fora da investigação comercial e argumentou que uma eventual sobretaxa poderia fortalecer politicamente o governo Lula.
No primeiro dia da audiência, o setor produtivo concentrou esforços para tentar convencer as autoridades norte-americanas a rever a medida. Empresas e entidades defenderam que a tarifa não prejudicaria apenas os exportadores brasileiros, mas também elevaria custos para empresas e consumidores dos Estados Unidos, além de reduzir investimentos no próprio mercado americano. Alguns representantes ainda solicitaram que determinados setores sejam excluídos da sobretaxa.
A preocupação é reforçada por um estudo da Confederação Nacional da Indústria (CNI), que estima que cerca de 4.187 produtos brasileiros, o equivalente a US$ 14,9 bilhões em exportações, podem ser atingidos caso as novas tarifas entrem em vigor.
Enquanto isso, o governo brasileiro enviou uma nova manifestação ao USTR contestando as acusações de práticas comerciais desleais. Em documento encaminhado pelo Itamaraty, o Brasil afirma que a investigação é equivocada, rejeita as alegações relacionadas ao Pix, ao combate ao trabalho escravo e ao comércio digital e defende que eventuais divergências sejam resolvidas por meio da Organização Mundial do Comércio (OMC), e não por medidas unilaterais.
A investigação aberta pelos Estados Unidos também analisa temas como propriedade intelectual, tarifas sobre o etanol, combate à corrupção e desmatamento ilegal. Até a decisão final, prevista para 15 de julho, empresários, governo e representantes políticos devem intensificar as articulações para tentar influenciar o desfecho de uma medida que pode afetar bilhões de dólares em exportações brasileiras.