A Venezuela desistiu de cobrar tarifas sobre produtos brasileiros exportados ao país, revertendo uma medida que havia gerado certa preocupação entre empresários e autoridades em Roraima. O recuo foi confirmado pela Federação das Indústrias do Estado de Roraima (Fier) nesta segunda-feira (28), após uma semana de impasse.
De acordo com a Fier, a cobrança — que chegou a até 77% — ocorreu por uma falha no sistema de tecnologia da informação (TI) da aduana venezuelana. O chamado “tarifaço” foi aplicado sem aviso prévio, contrariando os termos de um acordo comercial bilateral firmado entre Brasil e Venezuela em 2014.
A medida pegou exportadores de surpresa e foi criticada por autoridades locais. O governo de Roraima, por meio do Palácio Senador Hélio Campos, manifestou preocupação com os impactos da nova taxa sobre a economia do estado, que tem forte relação comercial com o país vizinho.
Em nota, a Fier informou que buscou uma solução imediata junto aos dois governos. “Estamos em contato direto com as autoridades competentes do Brasil e da Venezuela, em busca de esclarecimentos e soluções rápidas”, afirmou a entidade.
Com o problema técnico reconhecido, a Venezuela voltou a aplicar a isenção tarifária prevista no acordo. A normalização das operações alivia produtores e transportadores que atuam na fronteira norte do Brasil, onde o fluxo comercial vinha sendo afetado pela tributação inesperada.
A reversão por parte da Venezuela evita que o Brasil enfrente simultaneamente sanções de dois parceiros comerciais importantes, já que ainda continua o impasse com os Estados Unidos da América com o tarifaço de 50%.