Setor produtivo e centrais sindicais criticam aumento da taxa Selic para 14,25% ao ano

Por Redação 19/03/2025, às 20h09 - Atualizado às 20h28

A decisão do Banco Central (BC) de elevar a taxa Selic em 1 ponto percentual, para 14,25% ao ano, foi duramente criticada por entidades da indústria, comércio e centrais sindicais, que apontam impactos negativos sobre o consumo, o emprego e o crescimento econômico. O aumento coloca os juros no maior patamar em quase dez anos, acirrando o debate sobre os rumos da política monetária no Brasil.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) criticou a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), afirmando que a política monetária mais rígida desconsiderou fatores que poderiam ajudar a controlar a inflação sem necessidade de juros mais altos. Entre eles, a entidade citou a valorização do real frente ao dólar – que caiu de R$ 6,19 no fim de 2024 para R$ 5,68 em março de 2025 – e a redução da cotação do petróleo, cujo barril Brent passou de US$ 85 para US$ 70 no mesmo período.

A Associação Paulista de Supermercados (Apas) também se manifestou, pedindo mais cautela na política monetária para evitar danos ao consumo e ao investimento. “O Brasil já possui uma das maiores taxas reais de juros do mundo e, com essa nova alta, fica ainda mais difícil fomentar o investimento necessário para manter o país competitivo internacionalmente”, alertou a entidade.

Já a Associação Comercial de São Paulo (ACSP), embora tenha reconhecido os efeitos negativos sobre o consumo, avaliou que a decisão do BC estava alinhada às expectativas do mercado financeiro. Para a entidade, o aumento da Selic reflete a necessidade de conter a inflação, que segue acima da meta anual, em um cenário de incerteza fiscal e descontrole de expectativas inflacionárias.

As centrais sindicais também se posicionaram contra a decisão do Copom. A Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro da CUT (Contraf-CUT) classificou a medida como um endurecimento financeiro desnecessário, que só favorece os investidores do mercado financeiro em detrimento da população.

“Há anos, o Brasil mantém uma taxa básica de juros abusiva, que apenas beneficia um pequeno grupo de rentistas e prejudica o restante da economia”, afirmou a presidenta da Contraf-CUT, Juvandia Moreira.

O presidente da Força Sindical, Miguel Torres, criticou a manutenção da política monetária austera sob o comando do novo presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo. “Elevar os juros nesse momento só traz mais incertezas, prejudicando a criação de empregos e a geração de renda. Os juros continuam proibitivos e impedem que o Brasil aposte no crescimento econômico”, declarou Torres.

Impactos

A elevação da taxa Selic tende a:

✔ Reduzir o consumo, encarecendo o crédito para famílias e empresas;
✔ Frear os investimentos, dificultando a expansão da produção;
✔ Desestimular a criação de empregos, afetando a geração de renda;
✔ Favorecer os investidores do mercado financeiro, que se beneficiam dos juros elevados.