A Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou um alerta nesta sexta-feira (3) sobre um surto de antraz na República Democrática do Congo (RDC), após a notificação de 16 casos suspeitos e uma morte causada pela infecção bacteriana. O surto foi identificado em quatro localidades próximas ao Lago Eduardo, região de fronteira com Uganda, onde sete casos suspeitos também foram registrados, especificamente no distrito de Kabale.
O foco principal do surto está na província de Kivu do Norte, área já fragilizada por conflitos armados entre forças governamentais e grupos rebeldes. O antraz, doença causada pela bactéria Bacillus anthracis, afeta principalmente animais, mas pode ser transmitido aos humanos pelo contato com produtos contaminados, como carne, sangue, lã, couro ou ossos. A infecção também pode ocorrer pela inalação ou ingestão de esporos da bactéria.
Embora o antraz não seja normalmente contagioso entre humanos, casos de transmissão direta raramente foram registrados. A doença pode se manifestar em três formas clínicas:
Cutânea: mais comum, aparece após contato da bactéria com cortes na pele, evoluindo para feridas escuras, febre e mal-estar.
Gastrointestinal: adquirida pela ingestão de carne contaminada, provoca sintomas similares à intoxicação alimentar, podendo evoluir para vômitos com sangue e diarreia intensa.
Inalatória (pulmonar): a mais grave, ocorre ao inalar grande quantidade de esporos suspensos no ar e pode causar dificuldade respiratória aguda e choque.
Para conter o avanço da doença, a OMS já iniciou campanhas de vacinação em rebanhos de bovinos, ovinos e caprinos – principais hospedeiros da bactéria. A transmissão entre animais também pode ocorrer por meio de insetos ou rações contaminadas, especialmente se contiverem farinha de ossos de animais infectados.
Equipes da OMS e autoridades locais estão monitorando as cadeias de transmissão, investigando a origem do surto e distribuindo medicamentos e tratamentos às pessoas contaminadas e seus contatos próximos.
Há vacinas disponíveis tanto para animais quanto para humanos, embora o uso em humanos esteja restrito a grupos específicos com risco elevado de exposição, devido à limitação de estoques.
O surto mobiliza atenção internacional não apenas pela letalidade da doença, mas pela instabilidade política e humanitária da região afetada. A OMS reforça que medidas de controle estão em andamento para evitar a propagação da infecção.