O uso de sachês de nicotina, produtos que liberam a substância diretamente na boca ao serem colocados entre a gengiva e os lábios, tem se tornado popular, especialmente entre jovens, e para aqueles que querem parar de fumar cigarro. No entanto, especialistas alertam que esses itens não são uma alternativa segura ao cigarro e podem trazer sérios riscos à saúde, incluindo o aumento do risco de câncer e o desenvolvimento de dependência.
De acordo com Milena Maciel, consultora na área de tabagismo da Fundação do Câncer, esses sachês podem ser até mais prejudiciais do que o próprio cigarro. “A mucosa oral tem muitos vasos, o que permite que a nicotina seja absorvida rapidamente, indo diretamente para o sangue e cérebro”, explica. O consumo da substância pode ser extremamente viciante, já que a nicotina interfere diretamente nos neurotransmissores responsáveis pela sensação de prazer, o que leva a um ciclo de aumento da dosagem ao longo do tempo.
Além de ser viciantes, os sachês de nicotina podem contribuir para o desenvolvimento de células cancerígenas no corpo, favorecendo o crescimento de tumores. Mesmo sem a fumaça do cigarro, que é conhecida por liberar substâncias altamente prejudiciais à saúde, os sachês contêm outros ingredientes perigosos como níquel, cromo, amônio e formaldeído, compostos que são comprovadamente cancerígenos.
Outro impacto negativo significativo é nos problemas bucais, já que o produto é colocado diretamente na boca. A nicotina pode causar ressecamento da mucosa, gengivite, cáries e até a perda dos dentes. A pressão arterial também tende a subir, aumentando os riscos de problemas cardíacos devido à vasoconstrição, que “aperta” os vasos sanguíneos.
Apesar de a nicotina ser utilizada em tratamentos médicos para ajudar as pessoas a pararem de fumar, como é o caso de adesivos e gomas de mascar, os sachês não devem ser considerados uma opção segura. A Fundação do Câncer reforça que, ao contrário dos tratamentos terapêuticos supervisionados por profissionais, o uso desses produtos sem acompanhamento médico pode trazer sérios danos à saúde.
A comercialização dos sachês de nicotina não é regulamentada no Brasil, mas a facilidade de compra pela internet tem atraído consumidores, inclusive crianças e adolescentes. “Esses produtos são vendidos como modernos e discretos, com sabores atraentes, o que acaba seduzindo o público jovem”, alerta Milena Maciel. Para ela, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) precisa agir rapidamente para proibir a venda desses produtos, como já fez com os cigarros eletrônicos.
Embora a Anvisa já tenha se manifestado sobre a legalidade dos sachês de nicotina, considerando-os produtos fumígenos sujeitos à vigilância sanitária, a importação e comercialização desses itens ainda ocorre de forma irregular. Nesse contexto, o alerta de especialistas se torna ainda mais relevante, pois o uso desses produtos pode, no futuro, gerar mais desafios para a saúde pública, principalmente entre as novas gerações.