Alta da Selic pela sexta vez consecutiva! Taxa sobe para 14,75%, maior patamar em quase 20 anos

Por Redação 08/05/2025, às 09h26 - Atualizado às 09h26

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central ((BC) decide elevar a taxa Selic em 0,5 ponto percentual, passando de 14,25% para 14,75% ao ano. O novo patamar representa o maior nível da taxa básica de juros desde 2006 e confirma o sexto aumento consecutivo no atual ciclo de alta.

A decisão, tomada na reunião desta quarta-feira (7), e segue o plano sinalizado em março, quando foi indicado que seria mantido o aperto monetário para a convergência da inflação. Na ocasião, o BC já havia alertado que a magnitude do ajuste seria inferior a 1 ponto percentual, como vinha sendo praticado anteriormente.

A Selic acumula agora uma elevação de 4,25 pontos percentuais desde setembro de 2024, quando estava em 10,50% ao ano. O ritmo de alta, embora desacelerado, demonstra a preocupação da autoridade monetária com os efeitos persistentes da inflação e com a instabilidade do ambiente internacional.

Um levantamento realizado pela Bloomberg com 32 instituições revelou que 31 delas previam uma elevação de 0,5 ponto, o que se confirmou, “a decisão desta quarta correspondeu à expectativa majoritária do mercado financeiro”, apontam analistas.

Entre os fatores que pressionam a inflação estão as incertezas provocadas por Estados Unidos e China. Por outro lado, há quem avalie que esse embate pode ter efeitos desinflacionários no Brasil, o que levou a uma leve queda nas projeções para o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) deste ano.

Mesmo assim, os números permanecem distantes da meta central do Banco Central, de 3%, com tolerância entre 1,5% e 4,5%. O boletim Focus mostra que o mercado projeta o IPCA de 2026 — ano que está na mira da política monetária — em 4,51%. Para 2027, a projeção está estável em 4% há 11 semanas.

A conjuntura internacional também segue incerta. O Federal Reserve (Fed), banco central dos EUA, manteve os juros entre 4,25% e 4,50% ao ano, enquanto o mundo acompanha os desdobramentos das novas tarifas impostas por Donald Trump e as possíveis repercussões de um acordo comercial com a China.

O Copom, que atualmente conta com maioria de membros indicados pelo presidente Lula, sete dos nove integrantes, volta a se reunir nos dias 17 e 18 de junho. Até lá, o mercado seguirá atento aos indicadores de inflação e à resposta da economia ao atual patamar da Selic, que tende a encarecer o crédito e desacelerar o consumo.