A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou a Química Amparo, fabricante dos produtos Ypê, a retomar suas atividades de forma imediata. A autarquia também liberou a comercialização e o uso dos produtos Lava-Roupas Líquido, Lava-Louças Líquido e Desinfetantes com final de lote “1” fabricados a partir de 1° de abril de 2026.
A decisão foi anunciada nesta sexta-feira (29) pela diretoria da Anvisa após uma reinspeção conjunta realizada em parceria com órgãos de vigilância sanitária do estado de São Paulo e do município de Amparo. A nova fiscalização constatou a adequação das principais ações corretivas que vinham sendo implementadas pela Ypê desde a suspensão de duas linhas de produção. A empresa apresentou um plano detalhado para atender aos 76 requisitos sanitários apontados em auditoria anterior.
Apesar da liberação para a nova linha de montagem, a suspensão do comércio, da distribuição e do uso de detergentes lava-louças, sabões líquidos e desinfetantes com lotes de final 1 fabricados até 31 de março de 2026 permanece em vigor. Esses itens antigos devem continuar armazenados com segurança, e a liberação deles ocorrerá de forma gradual, condicionada à apresentação de laudos emitidos por laboratórios validados.
O monitoramento do plano de ação da companhia continuará sendo feito de maneira contínua pelas esferas municipais, regionais e estaduais de vigilância, além da própria Anvisa. Após a interdição das linhas, a Química Amparo decidiu ampliar para cerca de R$ 130 milhões o investimento destinado à modernização tecnológica de sua planta industrial.
A suspensão inicial ocorreu após a identificação de falhas que comprometiam os requisitos de Boas Práticas de Fabricação (BPF), com risco potencial de contaminação por microrganismos prejudiciais à saúde. O caso ganhou forte repercussão no país devido ao histórico político dos controladores da marca, a família Beira, que doou R$ 1,5 milhão para a campanha de Jair Bolsonaro em 2022 e foi condenada posteriormente por assédio eleitoral devido a uma transmissão voltada a funcionários.
Essa ligação fez com que a medida técnica da agência reguladora fosse politizada nas redes sociais por grupos de apoiadores sob a alegação de perseguição, motivando parte do público a ignorar os alertas sanitários oficiais emitidos pela Anvisa.