Ararinhas-azuis reintroduzidas na Bahia testam positivo para circovírus, confirma ICMBio

Por Redação 27/11/2025, às 17h33 - Atualizado às 15h51

O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) confirmou que as 11 ararinhas-azuis recapturadas no início de novembro testaram positivo para circovírus, após suspeitas de infecção entre os animais reintroduzidos na Caatinga. A confirmação reforça a preocupação do órgão com a integridade do programa de conservação da espécie em Curaçá, no sertão baiano.

O circovírus dos psitacídeos, originário da Austrália, é o causador da doença do bico e das penas, que altera a coloração das plumagens, provoca falhas no empenamento e pode deformar o bico. Sem cura conhecida, a enfermidade leva à morte na maior parte dos casos, embora não ofereça risco a humanos nem a aves de produção. As ararinhas haviam sido repatriadas da Europa e soltas na região em 2022.

O ICMBio investiga agora a origem do vírus no grupo e prepara a separação entre aves positivas e negativas para reforçar medidas de biossegurança no manejo.

Autos de infração e falhas no manejo

A confirmação do vírus ocorre meses após o ICMBio instaurar o Sistema de Comando de Incidente, criado para conter a disseminação do circovírus na região depois de um primeiro caso identificado em maio. Vistorias realizadas pelo ICMBio, Inema e Polícia Federal constataram descumprimentos dos protocolos de biossegurança no Criadouro para fins Científicos do Programa de Reintrodução da Ararinha-Azul.

As irregularidades resultaram em uma notificação e, posteriormente, em um Auto de Infração contra o Criadouro Ararinha Azul e seu diretor, no valor aproximado de R$ 1,8 milhão. Entre as falhas apontadas estavam a ausência de limpeza diária das instalações e utensílios — incluindo comedouros sujos e com fezes ressecadas — e o uso inadequado de equipamentos de proteção por funcionários, que foram flagrados usando chinelos, bermuda e camiseta durante o manejo. O local, antes identificado como Blue Sky, também foi autuado pelo Inema em cerca de R$ 300 mil.

A coordenadora de Emergências Climáticas e Epizootias do ICMBio, Cláudia Sacramento, afirmou que o surto poderia ter sido menor caso as normas tivessem sido seguidas. “Se as medidas de biossegurança tivessem sido atendidas com o rigor necessário e implementadas da forma correta, talvez a gente não tivesse saído de apenas um animal positivo para 11”, disse. Ela destacou ainda a necessidade de garantir que o ambiente não esteja comprometido, preservando outras espécies de psitacídeos da região.