Bahia amplia ações no combate à fome

Por Redação 30/07/2025, às 18h34 - Atualizado às 17h01

Com foco na segurança alimentar, a Bahia reuniu representantes de mais de cem municípios no 1º Seminário Estadual do Sistema de Segurança Alimentar e Nutricional (SISAN), realizado nesta quarta-feira (30), em Feira de Santana. O encontro contou com a presença do governador Jerônimo Rodrigues e marcou o anúncio de uma série de iniciativas voltadas à garantia do direito à alimentação no estado.

Entre os destaques está o envio à Assembleia Legislativa do Programa Estadual de Agricultura Urbana e Periurbana, voltado à valorização de hortas em bairros e periferias. O governo também lançou editais com mais de R$ 66 milhões em investimentos, abrangendo desde apoio a cozinhas comunitárias até projetos de educação alimentar e inovação.

Na abertura do seminário, o governador destacou a mobilização coletiva que tem guiado as políticas públicas no setor. “Na Bahia, conseguimos tirar cerca de um milhão de pessoas da situação de insegurança alimentar. Essa conquista é fruto de um esforço coletivo, que envolve universidades, movimentos sociais, prefeitos, deputados e o governo do Estado”, afirmou.

Uma das ações anunciadas é o programa Hortas Comunitárias da Bahia, que vai beneficiar cem municípios integrantes do SISAN com kits de irrigação, ferramentas, sementes e caixas d’água. O investimento é de R$ 7 milhões.

Outra medida é o edital “Comida no Prato”, voltado à estruturação de cozinhas comunitárias em cem cidades, com R$ 60 milhões em recursos. Cada unidade poderá oferecer até 200 refeições diárias durante um ano, alcançando mais de 41 mil pessoas por dia.

Também foi apresentado o projeto “Ciência na Mesa Nutricional”, desenvolvido em parceria com a Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação e a Fapesb. A proposta é financiar ações de divulgação científica sobre alimentação saudável e sustentável, com o uso de linguagens acessíveis como vídeos, jogos e cordéis. “A ideia é mobilizar pesquisadores e instituições para pensar soluções práticas para o cotidiano alimentar das comunidades vulneráveis”, explicou o coordenador Handerson Leite.

As iniciativas estaduais se somam a programas federais como o Bolsa Família e o PNAE, reestruturados desde 2023. Esse conjunto de ações foi determinante para a retirada do Brasil do Mapa da Fome, segundo relatório da Organização das Nações Unidas divulgado na segunda-feira (28). A FAO estima que menos de 2,5% da população brasileira esteja em risco de subalimentação.

Coordenador do programa Bahia Sem Fome, Tiago Pereira reforçou a importância da articulação entre setores. “A articulação intersetorial é a única saída para garantir alimentação digna para quem mais precisa. Com o PLANSAN, pactuamos metas concretas e construímos uma nova base de proteção social”, afirmou.

O seminário segue até esta quinta-feira (31) com oficinas, rodas de conversa e debates sobre os planos municipais de segurança alimentar.