Bahia gasta mais de dois salários mínimos por mês com cada detento em 2026

Por Redação 29/04/2026, às 09h01 - Atualizado às 08h14

O custo médio para manter a população carcerária na Bahia atingiu patamares elevados em 2026. Segundo dados do painel “Custo do Preso”, da Secretaria Nacional de Políticas Penais, o estado registrou um gasto mensal médio de R$ 3.449,56 por detento. O valor ultrapassa o equivalente a dois salários mínimos atuais e coloca a Bahia em uma posição de destaque negativo no ranking nacional de despesas do setor.

Os números tornam-se ainda mais expressivos em recortes mensais. Em fevereiro de 2026, por exemplo, o custo por preso na Bahia saltou para R$ 4.403,35, superando unidades da federação como Santa Catarina, que fechou o ano com média de R$ 3.549,53. A título de comparação, o custo baiano é significativamente superior ao de São Paulo (R$ 1.959,55) e do Distrito Federal (R$ 2.476,39).

O alto investimento no sistema prisional ocorre em meio a um cenário de crise administrativa e denúncias graves no estado. Recentemente, investigações do Ministério Público da Bahia (MP-BA) detalharam esquemas de corrupção e facilitação de fugas, como o caso do Conjunto Penal de Eunápolis, onde uma delação premiada revelou o pagamento de propinas milionárias e a influência de lideranças políticas na gestão da Secretaria de Administração Penitenciária e Ressocialização (Seap).

Enquanto estados como Amapá e Maranhão também apresentam picos de custos, a manutenção da estrutura baiana segue pressionando o orçamento público. O cenário acende o alerta sobre a eficiência da aplicação dos recursos, especialmente diante de episódios de instabilidade e da necessidade de modernização tecnológica para o controle das unidades prisionais no estado.