Brasil define prioridades para encontro de chanceleres do Brics no Rio

Por Redação 27/04/2025, às 07h06 - Atualizado 26/04/2025 às 19h01

O fortalecimento da luta contra a guerra comercial e a pressão sobre países ricos para ampliar investimentos no combate às mudanças climáticas estão entre os temas prioritários da presidência brasileira do Brics. As discussões ocorrerão nos dias 28 e 29 de abril, no Rio de Janeiro, durante a reunião dos ministros das Relações Exteriores do grupo.

O Brics hoje é formado por 11 países: África do Sul, Brasil, China, Egito, Emirados Árabes Unidos, Etiópia, Indonésia, Índia, Irã e Rússia. A Arábia Saudita participa como membro convidado, ainda em processo de adesão final. Outros países também foram convidados para o encontro.

Em uma prévia das pautas, o embaixador Maurício Carvalho Lyrio, secretário de Assuntos Econômicos e Financeiros do Itamaraty e Sherpa do Brasil no Brics, destacou que o grupo deve reafirmar a defesa do sistema de comércio multilateral e criticar medidas unilaterais de imposição de tarifas, sem citar diretamente os Estados Unidos, mas fazendo referência às ações do governo de Donald Trump, com foco na China.

Lyrio ressaltou a importância de fortalecer a Organização Mundial do Comércio (OMC), criticando a paralisação do Órgão de Apelação desde 2019, causada por bloqueios dos EUA. O Brasil, segundo ele, integra um grupo junto a Japão, Canadá e União Europeia que tenta garantir a continuidade das decisões em segunda instância no comércio internacional por meio de um sistema paralelo.

Mudanças climáticas em pauta

O financiamento climático também terá destaque nas discussões. O Brasil pretende apresentar aos demais membros do Brics a proposta de criação do Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF), voltado a estimular economias de baixo carbono. A iniciativa visa pressionar países desenvolvidos, historicamente mais poluentes, a contribuir financeiramente para a preservação ambiental.

Segundo Lyrio, a distinção entre os compromissos obrigatórios dos países ricos e o financiamento voluntário dos emergentes será mantida, conforme previsto no Acordo de Paris.

Agenda diplomática e cúpula de julho

Sob a presidência do Brasil, o Brics já realizou cerca de 80 reuniões técnicas e quatro encontros ministeriais em 2024. A cúpula final do bloco está marcada para os dias 6 e 7 de julho, também no Rio de Janeiro.

As sessões de chanceleres desta semana serão presididas pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e abordarão temas como reforma da governança global, multilateralismo, comércio, mudanças climáticas, saúde e combate à pobreza.

Vieira também manterá reuniões bilaterais com representantes de países como Indonésia, Rússia, Tailândia, China, Cuba, Nigéria e Etiópia, ampliando o diálogo diplomático brasileiro com o Sul Global.