Brasil registra aumento de 46,6% em acidentes aéreos em 2025

Por Redação 12/02/2025, às 17h03 - Atualizado às 11h19

O Brasil registrou, em 2025, uma média de um acidente aéreo a cada dois dias, segundo dados do Sistema de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Sipaer). Até a última terça-feira (11), foram contabilizados 23 acidentes e incidentes graves entre janeiro e os primeiros dias de fevereiro. Sete desses eventos foram fatais, resultando em 11 mortes.

O caso mais recente ocorreu na segunda-feira (10), quando um ultraleve caiu e explodiu próximo à Praia da Barra do Cahy, no município de Prado, no Sul da Bahia. O acidente vitimou o empresário Fredy Tanos e deixou ferido o piloto Mário Alessandro Gontijo de Melo. O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) investiga as causas da queda.

Aumento de 46,4% nos acidentes

Entre dezembro de 2024 e janeiro de 2025, foram registrados 41 acidentes aéreos no país, dos quais 11 resultaram em mortes, totalizando 24 vítimas fatais. O número representa um aumento de 46,4% em relação ao mesmo período anterior, que contabilizou 28 ocorrências, sendo nove fatais, com 23 mortes.

Especialistas da Associação Brasileira de Aviação Geral (Abag) apontam que o crescimento da frota de aeronaves de pequeno porte e o aumento das horas de voo desde a pandemia de Covid-19 influenciam esse cenário. Raul Marinho, diretor-técnico da Abag, destacou que, apesar do aumento absoluto dos números, a taxa de acidentes por milhão de horas voadas permanece estável.

Operações agrícolas e privadas concentram maior número de ocorrências

Dados do Sipaer indicam que 12 aeronaves envolvidas em acidentes em 2025 estavam em operações agrícolas, enquanto seis operavam de forma privada. De acordo com especialistas, o segmento agrícola apresenta maior risco devido à necessidade de voos a baixas altitudes e em velocidades reduzidas, dificultando a recuperação em caso de falha.

Já na aviação privada, o menor rigor nas exigências de segurança em comparação ao táxi aéreo é apontado como um fator relevante. Segundo Marinho, as operações privadas contam com menos requisitos regulatórios e, muitas vezes, exigem menos experiência dos pilotos, o que pode aumentar o risco de incidentes.