O prefeito de Salvador, Bruno Reis, protocolou na Câmara Municipal o Projeto de Lei nº 398/2025, que institui o Plano Plurianual (PPA) 2026-2029. O documento prevê R$ 80,3 bilhões, sendo R$ 57,1 bilhões orçamentários e R$ 23,2 bilhões extraorçamentários, distribuídos em seis eixos estratégicos, 13 programas de governo e 529 ações.
O eixo mais robusto é o de manutenção da máquina pública, que concentra R$ 28,44 bilhões. Desse montante, R$ 26,6 bilhões vão para o Programa Administração do Executivo Municipal, cobrindo despesas de pessoal e custeio, o que corresponde a 46,6% do orçamento do PPA.
A concentração deve gerar forte debate na Câmara.
O segundo maior bloco de investimentos é o de infraestrutura e ordenamento urbano, com R$ 27,98 bilhões. Entre os destaques estão o programa de mobilidade urbana, que prevê R$ 20,3 bilhões, incluindo o teleférico do Mané Dendê, a ampliação do BRT e requalificação de 265 km de vias.
A execução dependerá de parcerias com governo estadual, União e setor privado.
Outro foco é a requalificação urbana, com R$ 3,46 bilhões. As ações incluem a renaturalização da Bacia do Camarajipe, projetos em comunidades vulneráveis, contenção de encostas, habitação popular e obras de drenagem.
O plano de saneamento, porém, expõe déficit financeiro e preocupa quanto à sustentabilidade do setor.
No eixo de desenvolvimento econômico, com R$ 5,9 bilhões, o destaque é o impacto do investimento da montadora BYD e programas como o “Treinar para Empregar”, que promete qualificar 100 mil trabalhadores.
Já a inclusão social terá R$ 14,8 bilhões, com foco em educação e proteção social. Estão previstas reformas em 86 escolas e 44 mil vagas terceirizadas em creches privadas, medida que deve abrir controvérsia.
A cultura e o turismo receberão R$ 1,55 bilhão. Projetos como o Complexo da Música e o programa Salvador Capital Afro aparecem entre os principais investimentos para fortalecer a identidade cultural da cidade.
O PPA ainda não tem data para ser votado, mas deve entrar em pauta em breve.