A montadora chinesa BYD inaugura, nesta terça-feira (1º), uma fábrica de veículos elétricos e híbridos em Camaçari, na Bahia, mas a produção começa com foco em modelos quase prontos vindos da China, até mesmo com o carro pintado. Enquanto concorrentes como a GWM buscam nacionalizar componentes, a BYD amplia estoques e pede redução do Imposto de Importação.
A operação adota o regime SKD, sigla em inglês para semidesmontado, no qual os carros chegam parcialmente montados, com carrocerias já pintadas. Entidades do setor veem pouca movimentação no parque de fornecedores locais, o que gera críticas. “Qualquer montadora que queira produzir no país e utilizar a cadeia nacional de fornecedores é bem-vinda (…). Mas se vierem para cá gerando meia dúzia de empregos, estão dando empregos lá na China”, afirmou Cláudio Sahad, do Sindipeças.
Hoje, o SKD paga até 20%, e o CKD -em que os carros chegam completamente desmontados-, 7%. A proposta da BYD é unificar para 10% nos híbridos e 5% nos elétricos, o que gerou reações negativas. “Vejo com maus olhos o pleito [da BYD]”, disse Igor Calvet, presidente da Anfavea, durante entrevista coletiva realizada no início do mês. Sahad também criticou: “Acredito que o governo será responsável e não vai ceder à esse pleito”.
Em nota, após o escândalo de trabalho análogo a escravidão, a BYD afirma ter um “compromisso inegociável com os direitos humanos e trabalhistas”. Mesmo sem produção nacional significativa, a marca já ocupa o oitavo lugar em vendas no país, com 39,6 mil carros emplacados entre janeiro e maio, segundo a Fenabrave.