Por Melissa Carlos*
O primeiro debate entre os candidatos à Reitoria da UFBA para o mandato de 2026-2030, realizado nesta quinta-feira (14), foi marcado por confrontos diretos e denúncias de abuso de poder institucional. Sob a mediação da Comissão Eleitoral e com participação ativa da plateia, os quatro candidatos apresentaram propostas referentes à primeira eleição sem a lista tríplice, consolidando o voto direto conforme a Lei nº 15.367/2026. O evento ocorreu no Salão Nobre da Reitoria, no bairro do Canela.
Ao serem perguntados se respeitarão os resultados do pleito sem recorrer a medidas judiciais, o vice-reitor e candidato Penildon Silva Filho (Chapa 1) abriu a sessão de críticas denunciando um suposto uso da estrutura administrativa contra sua chapa. Penildon citou uma nota institucional, removida por ordem judicial, que o acusava de negligência e perseguição; o episódio foi interpretado pela Justiça como favorecimento à candidatura de João Carlos Salles (Chapa 2), nome apoiado pela atual gestão de Paulo César Miguez. Salles, por sua vez, não entrou no embate, limitando-se a defender a importância do rito democrático e a agradecer à sua base de apoio.
“Usar o site da universidade? Um documento assinado pelo reitor, pró-reitores, chefes de gabinete, assessoria de comunicação? A gente tem que ter mais responsabilidade. Essas eleições vão passar, mas a estrutura da universidade não pode ser usada para esmagar um servidor público, esmagar um colega, esmagar uma candidatura”, disse Penildon em sua réplica de três minutos.
Salete Maria (Chapa 4), ao Taktá, também manifestou preocupação com a justiça da eleição. Embora celebre o avanço democrático da legislação nacional, a docente denuncia o que chama de “golpe” nas normas internas estabelecidas pelo Conselho Universitário (Consu) e pela Comissão Eleitoral. Segundo a candidata, o regulamento atual é excludente ao deixar de fora do processo um grande número de estudantes das modalidades de ensino a distância (EAD), tanto na graduação quanto na pós-graduação. “As regras são extremamente excludentes e antidemocráticas”, afirmou. Salete aponta, ainda, haver uma “quebra de isonomia” entre as chapas concorrentes, relatando que grupos hegemônicos iniciaram movimentações de campanha com seis meses de antecedência, enquanto sua chapa dispõe de apenas 20 dias. Durante o debate, a candidata da Chapa 4 também denunciou ser vítima de assédio institucional.
Fernando Conceição (Chapa 3), no mesmo tom, classificou os adversários Penildon e Salles como “canalhas” e “hipócritas”, focando seu discurso no combate ao racismo estrutural e na sub-representação de negros nos espaços decisórios da instituição. “Foi a luta da favela do Calabar que me moldou e me ensinou a ter caráter”, ressaltou.
Após o debate acalorado, todos os postulantes posaram para uma foto conjunta, encerrando a discussão em tom de harmonia. O segundo debate está agendado para a próxima segunda-feira (18), às 18h30, na Faculdade de Arquitetura. A votação oficial está prevista para os dias 20 e 21 de maio, com a divulgação do resultado final no dia 22.
Confira as chapas:
Chapa 1: Mais Ufba
- Reitor: Penildon Silva Filho
- Vice-reitora: Bárbara Coelho
Chapa 2: Somos Ufba
- Reitor: João Carlos Salles
- Vice-reitora: Jamile Borges
Chapa 3: Ufba Insurgente
- Reitor: Fernando Conceição
- Vice-reitora: Célia Sacramento
Chapa 4: Nossa Ufba
- Reitora: Salete Maria
- Vice-reitor: Menandro Ramos