Os cardeais da Igreja Católica continuam, nesta quinta-feira (8), o conclave que vai eleger o 267º papa, após a morte do papa Francisco, no último dia 21 de abril. A eleição ocorre na Capela Sistina, no Vaticano, e teve início na quarta-feira (7), sob forte esquema de isolamento e segredo absoluto. O primeiro dia de votação terminou sem a escolha de um novo pontífice.
O processo de escolha do novo pontífice, um dos mais antigos e sigilosos do mundo, reúne 133 cardeais eleitores, número recorde, todos com menos de 80 anos. Eles vieram de 70 países, sendo 19 da Itália, 10 dos Estados Unidos e 7 do Brasil. A Europa representa o maior grupo regional, com 52 cardeais votantes, seguida pela Ásia (23), América do Sul (17), África (17), América do Norte (16), América Central (4) e Oceania (4).
Apesar de, teoricamente, qualquer católico do sexo masculino poder ser eleito papa, na prática, o escolhido tem sido sempre um dos cardeais presentes no conclave.
Votação secreta
Os cardeais eleitores permanecem isolados no Vaticano, sem acesso a celulares, internet ou televisão, até que o nome do novo papa seja definido. Eles participam de até quatro votações diárias – duas pela manhã e duas à tarde – até que um dos candidatos alcance o mínimo de dois terços dos votos (89, neste caso).
As cédulas são queimadas ao fim de cada rodada de votação, e a cor da fumaça liberada pela chaminé instalada na Capela Sistina indica o resultado: fumaça preta sinaliza que nenhum nome atingiu a maioria necessária, enquanto a fumaça branca anuncia ao mundo que um novo papa foi eleito.
Os horários mais esperados para os sinais de fumaça são 7h e 14h (de Brasília), mas podem ocorrer antes, caso a escolha seja concluída na primeira votação de uma das sessões do dia.
Tradição milenar
O conclave tem origem no século XIII. Após uma eleição que durou quase três anos, o papa Gregório X decretou que os cardeais deveriam ser trancados “cum clave” (com chave) para garantir a concentração e celeridade da escolha. O conclave atual, embora marcado pela modernidade tecnológica ao redor, mantém as tradições de sigilo e reclusão.
Historicamente, conclaves modernos costumam ser rápidos. A média de duração dos últimos dez conclaves é de 3,2 dias, e nenhum ultrapassou cinco. Francisco foi eleito em dois dias, após cinco votações, em 2013. O mesmo tempo levou a escolha de Bento XVI, em 2005.
Quando o novo papa for eleito
Assim que o nome for definido, um cardeal sênior anunciará ao mundo: “Habemus Papam” (“Temos um papa”). O novo líder da Igreja será identificado pelo nome de batismo e pelo nome papal escolhido, ambos em latim. Em seguida, ele fará sua primeira aparição pública na sacada da Basílica de São Pedro, proferirá seu primeiro discurso e concederá a bênção “Urbi et Orbi” (“à cidade e ao mundo”).
Nos dias seguintes, o papa eleito celebrará uma missa de início de pontificado, marcando o início oficial de sua liderança à frente dos 1,4 bilhão de católicos ao redor do mundo.