O cardeal Giovanni Angelo Becciu, condenado em 2023 a cinco anos e seis meses de prisão por envolvimento em um escândalo de corrupção no Vaticano, afirmou que pretende participar do Conclave, mesmo tendo sido excluído da lista oficial de eleitores.
Becciu foi acusado de desviar US$ 200 milhões da Santa Sé enquanto ocupava o cargo de Substituto da Secretaria de Estado. Parte dos recursos deveria ter sido destinada a obras de caridade, mas foram usados para investimentos de alto risco e para a compra de um imóvel de luxo em Londres.
O cardeal também teria direcionado verbas da Santa Sé à diocese de sua cidade natal, na Sardenha, beneficiando familiares. Ele nega as acusações e recorreu da condenação. Em 2020, renunciou aos direitos ligados ao cardinalato. A renúncia foi aceita pelo papa Francisco.
Além da pena de prisão, Becciu foi multado em 8 mil euros e ficou inabilitado de forma vitalícia para exercer funções públicas no Vaticano. O julgamento durou 29 meses, com 86 audiências e mais de 600 horas de tribunal.
Becciu já foi considerado um dos nomes fortes dentro da Igreja Católica e chegou a ser apontado como possível sucessor do papa Francisco. Foi nomeado cardeal em 2018, mas perdeu espaço após o início das investigações.
Apesar da perda do direito ao voto, ele insiste que participará da eleição do novo pontífice. A lista divulgada com os cardeais aptos a votar no Conclave, segundo ele, “não tem valor legal”.
O cardeal ainda consta como membro do Colégio de Cardeais, grupo responsável por decisões importantes da Igreja durante o período de sede vacante. No entanto, não está entre os 135 cardeais com direito a voto na escolha de um novo papa.