A tradicional “Casa de Michael Jackson”, no Pelourinho, em Salvador, pode deixar de receber visitantes após uma decisão judicial determinar a desocupação do imóvel. O espaço ficou conhecido mundialmente por abrigar a sacada onde o cantor gravou cenas do clipe They Don’t Care About Us, ao lado do Olodum, em 1996.
Há 17 anos à frente do local, Carlos Alberto dos Santos, conhecido pelos turistas como “Seu Carlos”, afirma que precisará deixar o imóvel até esta quarta-feira (23). Segundo ele, a casa pertence a um empresário italiano ligado à empresa My Falcam Brasil Empreendimentos e Participações Ltda., e o processo teve origem em um contrato de comodato assinado anos atrás.
“Quando ele me deixou aqui, disse que a casa estava à venda e que eu poderia permanecer até que fosse vendida. Depois descobri que o documento que assinei dizia que a casa era emprestada e que, quando ele quisesse, poderia retomá-la”, afirmou.
Carlos diz que assinou o documento enquanto enfrentava problemas de saúde e que acreditava ter autorização para continuar administrando o espaço.
O Taktá tenta contato com o dono do imóvel e com a My Falcam, mas não conseguiu resposta até a publicação desta reportagem.
Memória preservada
Conhecido por receber turistas do Brasil e do exterior, Seu Carlos transformou o casarão em um dos principais pontos de visitação do Pelourinho, mantendo um manequim de Michael Jackson na sacada e reunindo objetos e fotografias que lembram a passagem do artista por Salvador.
Em junho deste ano, o espaço ganhou um novo reforço para preservar essa memória. Um novo totem em homenagem a Michael Jackson foi instalado na sacada onde o artista apareceu durante as gravações do videoclipe. A iniciativa partiu do influenciador Binho Gomes da Silva, que decidiu substituir a antiga estrutura após perceber o desgaste provocado pela ação do tempo.
Segundo Binho, a motivação surgiu da relação afetiva que mantém com o Centro Histórico de Salvador. Ele afirmou que costuma visitar o Pelourinho sempre que está na região central da cidade e considera o local um símbolo da história e da cultura da capital baiana.
Futuro indefinido
Sem conseguir reverter a decisão na Justiça, Carlos afirma que pretende cumprir a determinação, mas faz um apelo para continuar trabalhando no Centro Histórico. “Já que vou ter que sair, queria pedir um lugar para trabalhar como camelô aqui no Pelourinho. Pode ser como camelô mesmo. É isso que eu peço”, disse.
A possível desativação da Casa de Michael Jackson coloca em risco uma das atrações turísticas mais conhecidas do Pelourinho, visitada diariamente por fãs do artista e turistas de diversas partes do mundo. Além de marcar a passagem de Michael Jackson por Salvador, o espaço se consolidou como um ponto de preservação da memória cultural da cidade.