Começa nesta segunda-feira (27), às 8h, no Fórum Ruy Barbosa, em Salvador, o júri popular de sete policiais militares acusados pela morte de Geovane Mascarenhas de Santana. O crime, ocorrido em agosto de 2014, tornou-se um símbolo da luta contra a violência policial no estado devido à crueldade dos detalhes revelados durante a investigação.
De acordo com a denúncia do Ministério Público da Bahia (MPBA), Geovane foi abordado por guarnições da PM no bairro da Calçada e levado pelos agentes sem justificativa legal. O corpo do jovem foi localizado dias depois em um lixão, carbonizado e decapitado. A acusação aponta que, além do homicídio e da ocultação de cadáver, houve a subtração de pertences da vítima, como o celular e a motocicleta que ele pilotava no momento da abordagem.
O julgamento acontece quase 12 anos após o episódio, após uma série de recursos judiciais que adiaram o desfecho do caso. A sessão é presidida pela Justiça estadual e contará com o depoimento de testemunhas de acusação e defesa, além do interrogatório dos réus, antes que o conselho de sentença decida pela condenação ou absolvição dos policiais envolvidos.
As câmeras de segurança que registraram a abordagem na época foram fundamentais para contradizer a versão inicial dos militares, que afirmaram ter liberado o jovem após a revista. O MPBA sustenta que a vítima foi morta sem qualquer possibilidade de defesa em uma ação que violou os princípios básicos da atividade policial.
Relembre o caso
Geovane Mascarenhas de Santana desapareceu em 2 de agosto de 2014 após uma abordagem policial. O laudo do Departamento de Polícia Técnica (DPT) revelou a crueldade do crime: o jovem foi decapitado, carbonizado e teve as tatuagens e os órgãos genitais removidos pelos agressores. O sepultamento da vítima ocorreu apenas três anos depois, em agosto de 2017, no município de Serra Preta.
Pelo crime, o Ministério Público da Bahia (MP-BA) denunciou sete policiais militares. Três dos acusados — Cláudio, Jaílson e Jesimel — chegaram a ser presos provisoriamente em agosto de 2014 no Batalhão de Choque da PM, em Lauro de Freitas. Eles foram colocados em liberdade em outubro do mesmo ano, após o cumprimento de 60 dias de prisão.