Com recuo histórico no país, Brasil reduz desmatamento e Bahia segue em 3º no ranking

Por Redação 27/05/2026, às 11h35 - Atualizado às 09h51

O Brasil registrou uma queda histórica de 20,6% nos indicadores de desmatamento em 2025 na comparação com o ano anterior. Ao todo, foram 983.843 hectares desmatados em todo o território nacional, fazendo o país ficar, pela primeira vez nos últimos sete anos, abaixo da marca de 1 milhão de hectares perdidos por ano. Os dados são do Relatório Anual do Desmatamento no Brasil (RAD 2025), divulgado pelo MapBiomas nesta quarta-feira (27).

Apesar do recuo nacional expressivo e da redução de índices em todos os biomas, o ritmo de destruição diária ainda preocupa: a média foi de 2.698 hectares devastados por dia (cerca de 112 hectares por hora), o equivalente à perda diária de 17 áreas do tamanho do Parque do Ibirapuera. No acumulado de 2019 a 2025, o Brasil perdeu aproximadamente 10.297.668 hectares de vegetação nativa, área superior ao tamanho de todo o estado de Pernambuco.

A realidade da Bahia e o peso do Matopiba

Mesmo com a tendência de queda nacional, a Bahia se consolidou como o terceiro estado que mais desmatou no país em 2025, com 110.616 hectares de vegetação nativa derrubados. A destruição se concentrou fortemente na região oeste, que integra a fronteira de expansão agrícola do Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia). Juntos com o Mato Grosso, esses quatro estados responderam por mais de 63% de toda a área desmatada no Brasil no último ano.

O agronegócio e a expansão agropecuária foram responsáveis por 99% da perda de vegetação nativa no país em 2025. Dos dez municípios que lideram o ranking de desmatamento no Brasil, os dados mostram que oito pertencem ao Matopiba, incluindo duas cidades do oeste baiano: Jaborandi e São Desidério. A liderança nacional ficou com Canto do Buriti, no Piauí, com 20.877 hectares perdidos.

Desempenho por biomas

A Amazônia apresentou uma redução de 23,5% na área desmatada, caindo de 378.254 hectares em 2024 para 289.478 hectares em 2025. O Pantanal registrou a maior queda proporcional do país, com recuo de 48,4% (12.260 hectares afetados). O Cerrado, por sua vez, continuou concentrando o maior volume absoluto de desmatamento do país (540.614 hectares), mas ainda assim obteve uma redução de 25,9% em relação ao ano anterior. O Pampa teve o menor índice em números absolutos, com 583 hectares depredados.

Nas áreas que cobrem o estado da Bahia, a Caatinga registrou queda de 25,9% (128.947 hectares em 2025 contra 174.119 em 2024), enquanto a Mata Atlântica recuou 4,7% (12.912 hectares).

Alertas em energia limpa e Unidades de Conservação

O relatório também fez dois alertas importantes sobre o território baiano. O primeiro aponta que a Caatinga concentrou 97% de todo o desmatamento do país associado à instalação de empreendimentos de energia renovável (eólica e solar), setor no qual a Bahia lidera a produção nacional.

O segundo alerta envolve as Áreas de Proteção Ambiental (APAs). A APA do Rio Preto, localizada no Cerrado baiano, entre Formosa do Rio Preto, Mansidão e Santa Rita de Cássia, foi apontada como a Unidade de Conservação mais desmatada do Brasil em 2025, acumulando 7.701 hectares perdidos. Isso representa um aumento de 44% em comparação com 2024, indo na contramão das Terras Indígenas e Unidades de Conservação de Proteção Integral, que se mantiveram como as áreas mais preservadas do país.