Crianças com microcefalia enfrentam maiores taxas de hospitalizações, diz estudo

Por Redação 23/01/2025, às 00h17 - Atualizado 22/01/2025 às 22h24

A epidemia do vírus Zika, que assolou o Brasil em 2015, teve impacto significativo no Nordeste, região que concentrou a maioria dos casos de microcefalia em recém-nascidos. Um estudo liderado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), com a participação de especialistas do Instituto de Saúde Coletiva da Universidade Federal da Bahia (ISC/UFBA), revelou que crianças com a síndrome congênita do Zika (SCZ) enfrentam maiores taxas de hospitalização e períodos prolongados de internação, destacando a vulnerabilidade dessa população no contexto nordestino.

A pesquisa, publicada no International Journal of Infectious Disease, analisou 2 mil casos de crianças com SCZ, comparando-os a 2,6 milhões de crianças sem a síndrome. Os dados mostram que crianças com SCZ têm de três a sete vezes mais chances de hospitalização e permanecem internadas por períodos mais longos devido a complicações combinadas, como doenças respiratórias e infecciosas.

O estudo aponta que o Nordeste foi o epicentro da epidemia, principalmente por suas características climáticas e sociais. Famílias de baixa renda, que vivem em áreas com alta circulação do mosquito Aedes aegypti, foram as mais afetadas. Essa vulnerabilidade socioeconômica, aliada à dependência do Sistema Único de Saúde (SUS) e de programas de transferência de renda, como o Bolsa Família, reflete a necessidade de políticas públicas específicas para atender a essas comunidades.

Na Bahia, um dos estados mais impactados, pesquisadores da UFBA contribuíram para o estudo, reforçando a relevância de estratégias regionais para o manejo das crianças com SCZ. Segundo a Fiocruz, é urgente a elaboração de planos estruturados de cuidado, com foco no atendimento ambulatorial e na redução de riscos de mortalidade.

Desafios

Além dos desafios médicos, o estudo revela que crianças com microcefalia enfrentam riscos de morte 30 vezes maiores por doenças respiratórias, 28 vezes maiores por doenças infecciosas e 57 vezes maiores por problemas no sistema nervoso. Esses dados reforçam a urgência de ações preventivas, como o controle do mosquito transmissor e o desenvolvimento de uma vacina eficaz contra o Zika.

Instituições como a Universidade de São Paulo (USP) e o Instituto Butantan já estão em fase de estudos para a criação de um imunizante. Enquanto isso, o Ministério da Saúde intensificou ações contra arboviroses, incluindo campanhas de conscientização e combate ao Aedes aegypti.

As consequências da epidemia de Zika no Nordeste, especialmente na Bahia, deixaram marcas profundas, mas também mobilizaram avanços na pesquisa e no atendimento. O trabalho conjunto entre instituições locais, como o ISC/UFBA, e internacionais, como a London School of Hygiene & Tropical Medicine, sinaliza que a ciência está cada vez mais comprometida em encontrar soluções para proteger as populações mais vulneráveis do Brasil.