Moradores de Gaza enfrentam uma situação dramática desde que a principal fonte de água potável foi cortada na última semana. Segundo autoridades locais, o fornecimento, que vinha sendo feito pela companhia estatal israelense Mekorot, foi interrompido em meio à nova ofensiva militar de Israel no bairro de Shejaia, no leste da cidade. A tubulação, responsável por 70% da água consumida na região, foi danificada por bombardeios e por ações terrestres do Exército israelense.
Sem o abastecimento regular, milhares de pessoas agora caminham longas distâncias para tentar conseguir água de poços remanescentes, muitas vezes localizados em áreas mais afastadas. A situação está levando Gaza a uma crise de sede.
O município de Gaza alerta que a crise pode se aprofundar nos próximos dias, afetando atividades básicas como limpeza, preparo de alimentos e higiene pessoal.
Impacto humanitário
A crise hídrica soma-se à tragédia humanitária provocada pela guerra entre Israel e o Hamas, que teve início em outubro de 2023. Na ocasião, militantes do Hamas realizaram um ataque em território israelense que resultou na morte de 1.200 pessoas e no sequestro de cerca de 250 reféns, segundo dados do governo de Israel.
Desde então, as ofensivas israelenses em Gaza deixaram mais de 50.800 mortos, conforme números divulgados pelas autoridades palestinas. Com 2,3 milhões de habitantes, a maioria da população da Faixa de Gaza já foi deslocada internamente, e a destruição da infraestrutura básica dificulta o acesso a serviços essenciais como energia elétrica, saneamento e água potável.
Água imprópria para consumo
A Bacia do Aquífero Costeiro, única fonte natural de água da região, está severamente comprometida. De acordo com estimativas, 97% da água da torneira está contaminada ou salgada, tornando-se imprópria para consumo humano devido à extração excessiva, poluição e salinização.
Com a interrupção do fornecimento pela Mekorot e a destruição de poços locais durante os ataques, a expectativa é de que a população enfrente dias ainda mais difíceis, caso o fornecimento não seja restabelecido. Até o momento, as Forças Armadas de Israel não se pronunciaram oficialmente sobre a interrupção no abastecimento.