Nesta segunda-feira, 27 de abril, celebra-se o Dia da Empregada Doméstica, data que joga luz sobre uma das categorias mais vulneráveis do mercado de trabalho baiano. Segundo dados de 2025 levantados pelo IBGE, o setor emprega 402 mil pessoas na Bahia, o que representa 6,2% do total de ocupados no estado. O número coloca o território baiano na 9ª posição nacional em percentual de trabalhadores domésticos, atrás de estados como Tocantins e Maranhão.
O perfil traçado pelas estatísticas revela uma face marcadamente feminina e racial: 9 em cada 10 profissionais são mulheres (96,1%), sendo que a grande maioria delas, cerca de 82,2%, são pretas ou pardas. O cenário socioeconômico, no entanto, é de extrema precariedade. O trabalho doméstico registra o menor rendimento médio habitual na Bahia, com R$ 910 mensais — valor significativamente inferior à média salarial do estado, que é de R$ 2.204.
A informalidade é outro gargalo crítico para a categoria. Atualmente, 8 em cada 10 trabalhadoras domésticas na Bahia não possuem carteira assinada, o que equivale a 334 mil pessoas (83,1% do setor). Essa falta de amparo trabalhista reflete diretamente no bolso: enquanto uma empregada com carteira recebe, em média, R$ 1.602, as informais ganham menos da metade desse valor, sobrevivendo com cerca de R$ 768 por mês.
A baixa escolaridade também compõe o quadro de vulnerabilidade social dessas profissionais. De acordo com o IBGE, 7 em cada 10 trabalhadoras não concluíram o ensino médio. O detalhamento mostra que 45,8% não possuem instrução ou têm apenas o fundamental incompleto, enquanto apenas 1,2% do total da categoria chegou a completar o ensino superior. Os dados reforçam a necessidade de políticas públicas voltadas para a valorização e a formalização do trabalho doméstico no estado.